A recente aprovação da lei da SAF e as diversas notícias envolvendo as transformações de grandes clubes em “clube-empresa”, nos faz despertar para a seguinte pergunta:

Será que já existiam times de futebol organizados em formato empresarial?

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Primeiramente, é importante lembrarmos que a forma de organização dos clubes de futebol é livre, ou seja, cada um pode optar por aquele modelo que melhor interessar.

Apesar da SAF, o modelo de “clube-empresa” não é novidade no futebol brasileiro e não está restrito somente aos principais times do país.

Estudo Base

O estudo realizado pelo geógrafo Jonathan Ferreira e o advogado Luciano Motta, além da reportagem produzida pelo jornalista Rodrigo Capelo, foram a principal fonte de informações para o nosso artigo.

De acordo com o mencionado estudo, o Brasil possui cerca de 136 clubes que adotam o modelo jurídico empresarial como forma de organização.

Este número representa cerca de 13% de todos os clubes registrados como profissionais na CBF.

Do mesmo modo, a maior parte dos clubes-empresa no Brasil, estão concentrados no Estado de São Paulo.

Isso se deve muito por conta da densidade populacional e por figurar em um dos estados mais ricos do país.

Além disso, um outro dado interessante do estudo é o fato de que a maioria das empresas são clubes de formação de atletas.

Desta forma, estão interessados no rendimento financeiro que gira as transações envolvendo atletas de futebol.

Próximos Cenários

Contudo, é necessário entendermos que esse movimento de transformação de clube modelo associativo para uma organização empresarial, ainda não envolve os principais clubes de Série A.

Na Série A, inclusive, somente Cuiabá e Red Bull Bragantino são empresas.

Assim, agora é que o movimento está em alta, depois da criação da lei da SAF.

Principalmente, por conta da transformação de Cruzeiro e Botafogo.

Por fim, o estudo produzido concluiu que o clube-empresa no Brasil foi pautado por investimentos básicos, com estruturas menos modernas  e fechado a um pequeno grupo de pessoas.

Portanto, será que o novo modelo irá alterar os antigos métodos dos clubes-empresa já existentes?

Os antigos clubes empresariais irão se transformar em SAF?

SAF do Cruzeiro

Recentemente, o Cruzeiro confirmou a venda de 90% de sua SAF para a empresa de Ronaldo Fenômeno.

A relação entre as partes ficou tensa alguns dias atrás, porém se estabeleceram e confirmaram a negociação.

Embora, confirmada a negociação, a SAF do Cruzeiro precisa de algumas avaliações e aguardar o resultado da gestão de Ronaldo.

SAF do Botafogo

Com relação ao Botafogo, a mídia traz notícias de que o clube está recebendo aporte financeiro de John Textor.

Recentemente, o clube carioca apresentou diversos jogadores para a disputa do Campeonato Brasileiro 2022.

É também um caso importante para ficarmos de olho.

Conclusão

Enfim, nós devemos estudar bem o novo movimento do futebol brasileiro, bem como ficar atento aos próximos passos do mercado.

Neste sentido,  poderemos atestar se a SAF será ou não moda entre os clubes brasileiros.

Em conclusão, a SAF não tem o pó mágico para a solução de todos os problemas do futebol brasileiro, é apenas mais uma opção.

Referências

CAPELO, Rodrigo. O mapa do clube-empresa no futebol brasileiro. Disponível em < https://interativos.globoesporte.globo.com/negocios-do-esporte/materia/o-mapa-do-clube-empresa-no-futebol-brasileiro>. Acesso em 17 de abril de 2022.

 

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Eduardo Assunção
Advogado especialista em Direito Desportivo. Auditor do Tribunal Desportivo de Uberlândia (TJDU). Sócio e Fundador da Justino & Assunção Sociedade de Advogados. Formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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