A mercantilização do futebol na Inglaterra

Antes de mais nada, o futebol sempre foi um espetáculo. E isso todo mundo sabe. E a Premier League é, para muitos, o campeonato mais disputado do planeta. Por isso, atrai muitos olhares, inclusive de bilionários. Então, várias grupos ricaços do mundo andaram adquirindo clubes gigantes na Inglaterra. Contudo, mesmo prometendo mundos e fundos, os donos dos clubes nunca caíram nas graças de seus torcedores. E isso se deve a uma série de fatores. Além disso, a ideia desses clubes de criar a Superliga Europeia, acentuou ainda mais os protestos das torcidas contra os donos de seus clubes.

Manchester United

O caso que está mais em evidencia no momento, com certeza é o do Manchester United, principalmente, por causa de protestos de torcedores que adiou o clássico entre Manchester United x Liverpool. Assim, a principal motivação do protesto foi a saída da família Glazer do poder dos Red Devils.

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E quem é a família Glazer? Com uma fortuna avaliada em US$ 4,7 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões), os irmãos Joel e Avram Glazer são os donos do Manchester United. Os empresários herdaram o clube de seu pai Malcolm Glazer, quando o patriarca faleceu em 2014. Malcolm Glazer adquiriu o Man United entre 2003 e 2005, já que foi comprando de pouco em pouco. Ao todo, Glazer pagou 790 milhões de libras. Além disso, a família Glazer também comanda o atual campeão da NFL, Tampa Bay Buccaneers.

Então, já que são comandados por uma família bilionária, por qual motivo a torcida do United odeia tanto os Glazers? A resposta na verdade é simples. Desde que adquiriram o clube, os irmãos conseguiram transformar os Red Devils em uma máquina, ainda maior, de fazer dinheiro. Contudo, os resultados em campo não vieram. Além disso, várias decisões equivocadas tomadas pela família e seu subordinados foram irritando cada vez mais a torcida, até o estopim da Superliga Europeia.

Arsenal

Já no caso do Arsenal, a história é ainda pior. O dono por traz do clube de Londres é o magnata Stan Kroenke. A fortuna de Kroenke é avaliada em US$ 8,2 bilhões (cerca de 45 bilhões de reais). Contudo, até 2019, o bilionário havia investido um total de zero libras no clube, sendo o único dono de clube inglês a não ter injetado um centavo sequer em sua equipe.

Assim, é claro que isto não deixa os torcedores do Gunners nem um pouco satisfeitos. Além disso, Stan Kroenke já era sócio majoritário do Arsenal, contudo, em 2018, pagou cerca de 549 milhões de libras  para deter 97% das ações.

O fato de Kroenke não investir o dinheiro dele no Arsenal se deve por o magnata ter optado por apostar unicamente nas verbas geradas diretamente pelo clube. Tais como patrocínios, direitos televisivos, prêmios e marketing. Todavia, esta tem se mostrado uma estratégia com muita falhas, mais até do que acertos. E isto tem deixado os Gunners longe da disputa pela Premier League.

Manchester City

A compra do Manchester City por parte de donos bilionários, com certeza, é uma das mais famosas no mundo do futebol. O clube azul de Manchester foi adquirido pelo shiek árabe Mansour bin Zayed Al Nahyan em 2008. Para facilitar a compra, o magnata e membro da família real de Abu Dhabi fundou o Abu Dhabi United Group.

 Apaixonado por esportes, Mansour também tem outros nove clubes de futebol espalhados pelo mundo. São eles: New York City FC (EUA), Melbourne City FC (Austrália), Yokohama F. Marinos (Japão), Girona FC (Espanha), Montevideo City Torque (Uruguai), Sichuan Jiuniu F.C. (China), Mumbai City (Índia), Lommel S.K (Bélgica) e Club Bolivar (Bolívia). O sheik ainda tem vários negócios que não estão ligados diretamente ao futebol, e sua fortuna está avaliada em R$ 130 bilhões.

Contudo, o magnata árabe realmente mudou o patamar do Man City. Outrora um clube mediano na Inglaterra, o Manchester City se tornou uma potencia nos últimos anos, tanto em âmbito nacional como internacional. O grupo que controla o clube quitou dívidas, investiu pesado na contratação de jogadores, membros da comissão técnica e diretores. E, principalmente, o Manchester City se tornou uma maquina de fazer dinheiro.

Chelsea

Em suma, o Chelsea é o primeiro grande caso de magnata comprando um clube de futebol da Inglaterra. E o ricaço que escolheu os Blues foi Roman Abramovich, o famoso magnata russo. Abramovich fez sua fortuna com petrolíferas russas, no início dos anos 90, e é uma das pessoas mais influentes por lá até hoje. Apesar de já ter sido preso e ter seu nome ligado a máfia russa.

Em 2002, o magnata russo demonstrou interesse em comprar um clube da Premier League, algo completamente novo na Inglaterra. Abramovich chegou a conversar com o presidente do Tottenham, contudo, fechou negócio mesmo com o Chelsea, até então, um clube mediano para pequeno de Londres.

Com uma fortuna avaliada em US$ 14,5 bilhões (cerca de R$ 78,1 bilhões), Roman Abramovich já investiu cerca de R$ 1 bilhão no clube azul de Londres desde que comprou 100% da equipe. E deu resultado: o clube foi inúmeras vezes campeão da Premier League desde sua compra, ganhou mais inúmeras vezes as copas do país (Copa da Liga Inglesa e a Copa da Inglatera) e finalmente ganhou a UEFA Champions League na temporada 2011/12.

Tottenham

O Tottenham é um caso a parte. Um dos únicos clubes da Inglaterra que é controlado por um magnata inglês. E se trata de Joe Lewis, um bilionário com uma fortuna avaliada em US$ 5,4 bilhões (cerca de R$ 17,35 bilhões). Contudo, Lewis, assim como os donos do Arsenal, United e Liverpool, não é lá muito querido pela torcida do Spurs.

Isso se dá, principalmente, por Joe Lewis não ser o maior fã de futebol. Na verdade, o magnata inglês não se interessa nem um pouco pelo esporte, para ele, é apenas negócio. Sendo assim, não há qualquer identificação com o clube. Além disso, sua empresa, a ENIC Group, comprou o Tottenham durante os anos 90, e desde então, os resultados dentro de campo não vieram. A maior glória do time neste período foi um vice campeonato da UEFA Champions League na temporada 2018/19. O clube não conquista um título, por qualquer que seja, há 13 anos.

Apesar de ser menos “ostentador” do que seus amigos magnatas do esporte, Lewis acumula polêmicas não apenas com a torcida do Tottenham. O magnata atualmente vive nas Bahamas, unicamente para fugir dos impostos. Fato que é muito criticado pela imprensa da Inglaterra. Além disso, seu maior investimento no clube londrino foi a construção de um novo estádio, avaliado em 400 milhões de libras (cerca de R$ 1,6 bilhão).

Liverpool

Por fim, temos o Liverpool. O clube mais tradicional da Inglaterra também não escapa de ter seus donos odiados pela torcida. Contudo, é bom ressaltar que os Reds estavam a beira da falência quando foram comprados pelo Fenway Sports Group, do magnata John W. Henry.

Em 2011, o primeiro sob a atual administração, o Liverpool tinha receitas, pelo câmbio atual, equivalentes a R$ 889 milhões. Em 2016, faturou R$ 1,516 bilhão, um crescimento de 71%. No mesmo período, as receitas do United, por exemplo, cresceram apenas 46%.

Todavia, apesar de ter salvado o clube inglês, John W. Henry não é visto com bons olhos na terra dos Beatles. O clube só começou a prosperar esportivamente sob o comando da Fenway Sports Group em 2018, o que é considerado muito tarde pelos torcedores. Além disso, foi muito mal vista a entrada do Liverpool na Superliga Europeia, o que fez com que John até se manifestasse publicamente para pedir desculpas.

Foto Destaque: Reprodução/Dreamstime

João Victor Freire on Email
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Eu escolhi o jornalismo pois é o que eu sei fazer desde criança. Trabalhar com jornalismo esportivo é um sonho que se realiza a partir de agora.

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