Abel x Renato (Foto: Reprodução/Cesar Greco/palmeirasonline.com)

Antes de mais nada, pouco mais de sete meses da final da Copa do Brasil de 2020, Abel Ferreira e Renato Portaluppi estarão, de novo, travando embate por um título. Desta forma, conduzem Palmeiras e Flamengo, respectivamente, na decisão da Taça Libertadores da América de 2021, em busca da “Glória Eterna”.

Acima de tudo, aproxima-se uma partida repleta de ingredientes. Além de duas camisas de peso, ótimos atletas e rivalidade, ocorrerá o duelo de treinadores que possuem características bem diferentes. Diante disso, como aperitivo, vale um exercício de comparação do comportamento de cada um destes importantes treinadores que terão a responsabilidade de protagonizar um dos confrontos mais aguardados por todos.

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ABEL FERREIRA

Abel Ferreira demonstra ser uma pessoa clara como água, dono de uma conduta reta e única. Ao mesmo tempo, dedica palavras doces à família e enaltece sua terra natal com muito orgulho. De outro lado, o treinador do Alvi-verde apresenta-se sanguíneo e enfático ao responder perguntas mais ácidos sobre seu trabalho. É provável que esta reação decorra do estresse causado pela necessidade de adaptação a um contexto tão intenso de cobranças movidas pela paixão e de um calendário absurdo.

Já no exercício diário de seu ofício, Abel  tem se mostrado um grande estudioso. Nada de anormal, uma vez que é oriundo da escola portuguesa de futebol. Logo, em um breve parênteses, Portugal seja o país que mais tenha ofertado treinadores competentes nos últimos tempos. Somados a Abel, pode-se apontar outros relevantes como José Mourinho, Jorge Jesus, Nuno Espírito Santo, Marco Silva e Rúben Amorin. Aliás, importante guardar este último nome. Em seguida, será cobiçado pelos maiores clubes do mundo.

Ademais, Ferreira configura-se em um estrategista contumaz. Isto é, consegue como poucos armar e ajustar sua equipe de acordo com as características do adversário. Também é tido como especialista em torneios eliminatórios. Alcançou dois títulos em menos de um ano, as edições da Libertadores e da Copa do Brasil de 2020. Inegavelmente, o comandante do Verdão entende do riscado. Se medirmos acertos e erros, seu saldo é pra lá de positivo. Merece respaldo da enorme Nação Palestrina.

RENATO PORTALUPPI

Renato é dono de um grande caráter. Talvez poucos tenham conhecimento sobre suas inúmeras ações de bondade e empatia. Realiza doações a ONG’s e asilos com frequência. Entretanto, faz questão de alimentar às câmeras uma imagem de malandro futeboleiro. As entrevistas são um espetáculo à parte. Não gosta de falar de tática e usa a galhofa para chamar a atenção do público.

Em campo, a gestão de vestiário configura-se no principal predicado do extrovertido treinador. Renato passa muita segurança ao grupo. Sem dúvida, parte da ideia de que os outros precisam estar constantemente receosos, não seus comandados. Outrossim, os times de Renato atuam munidos de personalidade em qualquer lugar. Como resultado, praticam um futebol sem medo e empolgante.

Tanto isso é verdade, que foi escolhido pelo Flamengo para assumir o lugar de Rogério Ceni, demitido dias antes. O acerto foi rápido, pois o perfil de Renato casaria com os jogadores. Por óbvio foi o que pensaram os dirigentes do clube carioca. Contudo, apesar dos ótimos resultados até aqui obtidos, o atual líder do vestiário flamenguista tem pecado na leitura dos jogos em algumas oportunidades.

Para ilustrar, menciona-se o clássico nacional do dia 19 de setembro de 2021, válido pelo returno do Brasileirão, entre Flamengo e Grêmio. No segundo tempo, com o propósito de igualar o marcador, o treinador do Flamengo fez ingressar vários atacantes. O objetivo era furar o “muro” criado por Luis Felipe Scolari. Uma ação simplista que facilitou os movimentos do Tricolor. De forma, o Rubro-negro acabou amargando um revés em casa.

DECOLAGEM

Ainda assim, Renato é o treinador brasileiro que mais evoluiu em épocas recentes. Para ratificar esta afirmação, basta relembrar sua trajetória desde que retomou a carreira em 2016, depois de um período no estaleiro. Antes a este período, Gaúcho não conseguia colecionar bons trabalhos. Parecia não ter a convicção em seguir a carreira.

Todavia, ao assumir o Grêmio pela terceira vez, alçou voo. Transformou aquele elenco em um dos melhores do Brasil. Associou um desempenho lindo com resultados expressivos. Nesta esteira, recorda-se do Grêmio de 2017. Certo que foi o auge dos gaúchos sob a batuta de Renato. Regido por Arthur, o time envolvia o adversário com facilidade. Na frente, havia Everton Cebolinha e Luan, desmantelando as defesas. Não à toa, conquistou o continente naquele ano. Inclusive, agora, Renato é tão respeitado que pode substituir Tite após a Copa de 2022. Com justiça!

RESUMINDO…

Dessa forma ganha o nosso futebol em vista destas figuras icônicas. Cada qual a seu modo, esta dupla contribui para aumentar a qualidade das partidas. Pelo excelente trabalho, são referências a serem observadas. Aplicam modelos diferentes ao jogo, porém eficientes e potencializados pela presença dos dois nas casamatas. Independentemente de quem vier a se sagrar vencedor em novembro, teremos a chance de presenciar um ótimo espetáculo, digno de um grande desfecho do tamanho de Abel e Renato.

Foto destaque: Reprodução/Cesar Greco/palmeirasonline.com

Fernando SantAnna

Cyber


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