Atlético Nacional, o clube sensação dentro e fora dos campos em 2016

Dias atrás, estava pensando sobre a Copa Libertadores e a final de 2020. O título do Palmeiras e como o time alviverde dominou a América me trouxeram a mente outro clube verde e branco que, diferentemente dos brasileiros, não só conquistou o continente dentro de campo, mas também fora dele. Sendo assim, hoje, na coluna Colômbia Dourada, vamos relembrar a campanha do Club Atlético Nacional e como os colombianos foram a melhor equipe da América do Sul de 2016.

INÍCIO DA TEMPORADA

Desde 2015, os Verdolagas estavam chegando em todas as competições colombianas como um dos favoritos ao título. Isso se deve ao técnico Reinaldo Rueda, que revolucionou a forma da equipe jogar ao implantar um futebol ofensivo e moderno que envolvia os adversários e todos os apaixonados por futebol. Em 2016, o Atlético Nacional estava confiante pois vinha de ótima campanha na Copa Colombiana. Além disso, um título colombiano que o garantiu na Copa Libertadores da América.

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FASE DE GRUPOS DA LIBERTADORES

Nessa Libertadores, o Atlético Nacional fez a melhor campanha da fase de grupos, sendo líder do grupo D, que contava com Huracán, Peñarol e Sporting Cristal. Durante a campanha, os Verdolagas foram formidáveis, pois venceram cinco e empataram um dos seis jogos que disputaram na competição. Dentre as vitórias, bateram o Peñarol, fora de casa, por 4 x 0 e o Sporting Cristal por 3 x 0 dentro de casa.

Na equipe que jogou a 1ª fase do maior campeonato continental, alguns jogadores que depois seriam conhecidos dos brasileiros se destacaram. Mas antes, figuras como Marlos Moreno, Jonathan Copete e Orlando Berrío tiveram que brilhar na Libertadores em busca da glória eterna pelos Verdolagas.

OITAVAS E QUARTAS DE FINAL

Nas oitavas de final, o Atlético Nacional enfrentou o Huracán, da Argentina. O jogo de ida aconteceu no Estádio Tomás Adolfo Ducó, casa dos argentinos. A partida, apesar de ter sido movimentada e com chances para os dois lados, acabou em 0 x 0. Porém, o melhor aconteceria no jogo de volta que foi repleto de gols e com direito a dois do venezuelano Alejandro Guerra. Fato que garantiu o placar de 4 x 2 para os colombianos.

Nas quartas de final, nossos protagonistas enfrentaram o Rosário Central em dois jogos muito disputados, sendo o primeiro 1 x 0 para os argentinos. Na segunda partida, que foi equilibrada, os Verdolagas precisavam vencer por dois ou mais gols de diferença para se classificarem.

Porém, os Canallas, como são conhecidos os Hermanos, saíram na frente para dificultar ainda mais a vida de nossos heróis. Entretanto, o que se viu após o primeiro gol foi um massacre. Primeiro os mandantes marcaram com Torres, depois com Guerra e, por último, após linda jogada individual de Ibargüen, Berrío atacou a área adversária para garantir a classificação do Atlético Nacional pelo placar de 3 x 1.

Após o gol, o estádio foi a loucura e o atacante Berrío, que resolveu comemorar seu gol sobre o goleiro adversário, gerou uma enorme confusão que ficou marcada para a história. Esse acontecimento mostra o quão incrível foi esse jogo que levou os Verdolagas para enfrentar o poderoso São Paulo nas semifinais.

SEMIFINAL

O primeiro jogo aconteceu no Morumbi, estádio do São Paulo, e o Atlético Nacional era favorito para o confronto. Porém, o Tricolor Paulista tinha a torcida e a tradição da camisa como aliadas nessa partida. Assim, o jogo foi equilibrado e com chances claras para os dois lados.

Entretanto, o zagueiro Maicon foi expulso, após dar um tapa na cabeça de Borja e prejudicou muito o São Paulo. Desse modo, o jogo ficou fácil para os colombianos que, após linda troca de passes, encontraram Miguel Borja livre para fazer 1 x 0. Logo depois, o atacante fez mais um e decretou a vitória.

O jogo de volta aconteceu no Estádio Atanasio Girardot e os Verdolagas precisavam de apenas um empate para confirmarem o acesso à final da Libertadores. No entanto, o São Paulo começou ganhando, após Calleri marcar de cabeça. Mas os mandantes empataram com um gol do carrasco dos são-paulinos, Miguel Borja, pouco depois de os brasileiros abrirem o placar.

Assim, a igualdade classificava os colombianos que não abdicaram de buscar a vitória, fato que os presenteou com um gol de pênalti marcado novamente pelo goleador Miguel Borja.

A partir desses dois jogos, o colombiano Miguel Borja foi badalado por todos os times da América, que queriam comprá-lo. O atacante acabou com todas as expectativas do Tricolor Paulista de conquistar a competição e levou o Atlético Nacional à final do campeonato contra o Independiente Del Valle.

GLÓRIA ETERNA

A primeira partida da final terminou em 1 x 1. Berrío que recebeu na entrada da área driblou dois jogadores e chutou para marcar um lindo gol para os Verdolagas na altitude de Quito.

A decisão aconteceu no Estádio Atanasio Girardot, a equipe alviverde iniciou com a vantagem após Borja marcar em jogada de bola parada próxima a área adversária. A partida continuou equilibrada após o gol, mas com as melhores chances para os Verdolagas, que jogavam um futebol ofensivo e de transição rápida.

Assim, o Atlético Nacional levou o título da Copa Libertadores da América após 27 anos e foi a melhor equipe Sul-Americana de 2016.

AMÉRICA VERDE E BRANCA

Os campeões da Libertadores, jogariam a final da Copa Sul-Americana contra a Chapecoense, um clube do Brasil que fazia uma campanha maravilhosa até a final. Porém, um acidente durante a viagem para a Colômbia matou a maioria dos tripulantes do avião da Chape, que ficou impossibilitada de disputar a final. Esse acontecimento causou uma dor enorme no coração daqueles que viram a felicidade dos jogadores que disputariam a primeira final continental da história do clube.

Ciente da situação, o Atlético Nacional decidiu entregar o título a Chapecoense. Fato que mostrou a grandiosidade dos Verdolagas nessa temporada. O técnico Reinaldo Rueda disse no dia em que a Conmebol deu o título à Chape:

“O Atlético foi o primeiro a oferecer isso, sendo coerente com o que nós (comissão técnica e jogadores) queríamos, mas também sabendo que eles vinham fazendo um lindo torneio e que vinham disputar essa final conosco”.

O gesto rendeu ao clube colombiano um premio de US$ 2 milhões por Fair Play. Além dos grandes feitos dos Verdolagas, o povo colombiano acolheu os brasileiros de uma forma nunca vista antes na história. E, assim, pintaram a América de Verde e Branco ao mostrar que o Atlético Nacional foi a melhor equipe sul-americana de 2016 dentro e fora de campo.

Foto Destaque: AP Photo/Dolores Ochoa

Gabriel Oliveira
Professor de História na Rede Pública de São Paulo desde 2018 e voluntário na FNV Sports.

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