Ballet Azul do Emelec de 1962.

À primeira vista, o futebol equatoriano nunca se mostrou um dos mais vistosos do mundo. Por outro lado, os vizinhos sul-americanos sempre se destacaram mais, como Argentina, Uruguai e Brasil. Contudo, voltemos aos tempos em que Jorge Bolaños fazia os olhos do planeta bola se virarem para o Equador. Tempo em que a magia e sincronia transmitida em campo ultrapassava o limite do esporte. A quem compare até com música clássica ou poesia. Definitivamente era o “Ballet Azul do Emelec”. Este é o tema da coluna Pela Linha do Equador desta semana.

Há quem diga que o grande marco do Emelec foi eliminar o Flamengo, de Ronaldinho Gaúcho, na Libertadores de 2012. Seria bobagem resumir a isso. Portanto, voltemos no tempo 51 anos. A mesma Guayaquil que quatro anos antes, em 1957, coroava Los Eléctricos pela primeira vez como campeões equatorianos, em 1961 recebia um senhor argentino que mudaria a história do futebol do Equador para sempre. Senhor este que carregava a alcunha de Fernando Paternoster.

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MARQUÊS OU MAITRE

Antes de mais nada, Paternoster ou Don Fernando Paternoster, foi um treinador e ex-jogador que soube, como poucos, alcançar um estilo de jogo esteticamente esplêndido e contundente ao mesmo tempo. Como jogador, foi um xerifão na zaga do Racing Club de Avellaneda, onde ganhou o apelido de “El Marqués”. Seu grande marco foi o vice-campeonato com a Argentina na Copa do Mundo de 1930, realizada no Uruguai. Por outro lado, como treinador, teve uma passagem vitoriosa pelo Atlético Nacional, de Medelín, e a orquestra que esteve em seu domínio comandando o Ballet Azul do Emelec.

El Marqués chega em Guayaquill, ainda que com títulos na bagagem, gerando uma certa desconfiança, em virtude de um trabalho discreto na Sociedade Deportiva Aucas. Sua chegada foi bancada em função do seu ótimo trabalho com o Atlético Nacional, resultando no título do Campeonato Colombiano em 1954. Após o Emelec vencer a 1ª edição em 1957 e nos dois anos seguintes (1958 e 1959) o campeonato não ter sido realizado, viu em 1960 seu grande rival, Barcelona de Guayaquill, se sagrar campeão. Paternoster chegava para voltar ao topo.

O BALLET AZUL

Primeiramente, embora encarar a desconfiança e a pressão da obrigatoriedade de voltar a ser campeão, Paternoster se mostrou paciente e humilde. Dessa forma, com um jeito “paizão” e diálogos “olho no olho” com os jogadores, era visto constantemente no dia a dia. O tratamento individual com os jogadores e a cabeça de ex-jogador fazia com que as atitudes do treinador argentino fossem exatamente o que os jogadores esperavam. Ele tinha o vestiário na palma de suas mãos.

De maneira idêntica com a de Scolari em 2002, Paternoster tinha os craques do seu lado. A família estava montada e os jogadores correndo pelo treinador. Em outras palavras, a fórmula secreta do sucesso. O time funcionava como uma engrenagem perfeita, jogos com exibições fantásticas chamavam a atenção do mundo todo. “Eles praticamente marcam gols quando tem vontade”, registrou o ex-técnico Otón Chavez Pazmiño, com passagem pelo Emelec.

GLÓRIA E ADEUS

Decerto, ao passo que o futebol do Ballet Azul crescia, não demorou muito para o títulos aparecerem. Assim, como resultado, no ano de estreia do novo treinador, o Emelec sagrou-se campeão do Nacional de 1961. A escola de Don Paternoster voltou a levantar o caneco e, de forma histórica, em 1965, acrescentando a terceira coroa nacional à vitrine dos Millonarios. A façanha do time foi tão grande que terminou o torneio invicto. Era o auge vivido por um clube equatoriano.

Afinal, o Ballet Azul entrou de fato para os livros. Tempo depois de campanha histórica, Paternoster encerrou a carreira como técnico e voltou à Argentina onde, mais tarde, em 1967, aos 64 anos, veio a falecer. Inegavelmente, a morte não foi páreo a seu legado imortal. Por fim, as palavras do lendário Marquês ressoa nos ouvidos dos diretores até hoje:

“Vocês têm a obrigação de manter o Emelec bem. Tiraram a banda do argentino River Plate, têm o azul dos Millonarios de Bogotá, têm estádio próprio, conseguiram profissionalismo no Equador. Mas dinheiro não faz jogadores, ajuda, mas não faz. Nunca se esqueçam disso…”.

Foto destaque: Reprodução / El Universo

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Sou um amante de esportes e apaixonado pelo futebol. Estou no último ano de jornalismo na Anhembi Morumbi e nesses quatro anos fiz alguns trabalhos que fizeram com que eu me apaixonasse ainda mais pela comunicação. Participei de um projeto para a criação da equipe de comunicação do time de basquete da atlética Guaxinim onde narrei alguns jogos da campanha do título do NDU 2019. Gosto muito de transferir a emoção exata seja no audiovisual ou no escrito. Jornalismo é isso, a paixão por apaixonar através de palavras.

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