Borré foi ignorado por Simeone e acolhido por Gallardo

Rafael Santos Borré foi o principal nome do mercado da bola brasileiro no início do ano. O atacante, de 25 anos, foi peça chave no vitorioso River Plate, da Argentina. Em razão disso, passou a ser desejado por diversos times como Palmeiras, São Paulo e Grêmio. Apesar da pouca idade, o jogador já teve passagem pela Europa, dessa forma vale a pena conhecer um pouco mais do artilheiro. Na coluna Colômbia Dourada entenda um pouco mais sobre o perfil profissional do jogador, que foi cobiçado por várias equipes do Brasil.

Borré é colombiano, nascido na cidade de Barranquilla. O Deportivo Cali revelou o ex-camisa 19 do River Plate, por isso o jogador possui grande estima pelo clube. Em 2013, aos 17 anos, estreou pelo time profissional do Cali. Mas foi em 2014, contra o Tolima, que marcou seu primeiro gol na carreira.

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A princípio, o colombiano chamou atenção por ser um jogador muito técnico, veloz e que se movimenta muito bem em campo. O atacante não era um grande exemplo de força física, contudo em seus primeiros anos nos Azucareros, mostrou que suas principais habilidades tinham haver com inteligência e oportunismo.

Em seguida, em 2015, o jogador teve seu auge no Depor, quando marcou 16 gols em 31 jogos e foi campeão do Apertura Colombiano. Em campo, atuava como um atleta que impunha muita pressão nos rivais quando esses estavam com a posse da bola. Além disso, demonstrava grande capacidade de organizar o jogo, com toques rápidos e boas decisões. No entanto, a demora para decidir aparecia como um de seus pontos fracos. Esse é o fardo por pensar demais em cada movimento. Mesmo assim, o talento do jogador logo despertou desejo.

Borré
Borré comemora gol pelo Cali (Foto: Divulgação/Deportivo Cali)

A PASSAGEM METEÓRICA DE BORRÉ PELA EUROPA

O Atlético de Madrid adquiriu o jogador de forma prematura, em 2015, por cerca de 4 milhões até 2021. Porém, ficou acordado que o atacante permaneceria na Colômbia até 2016, e só depois se juntaria aos Colchoneros. Logo depois, no retorno do empréstimo, o time madrilenho emprestou o jogador novamente, desta vez para o Villareal. Pelo menos no Submarino Amarillo o jogador entrou em campo. Em 30 jogos, o artilheiro marcou 4 gols e deu 2 assistências nos poucos meses em que esteve no time.

Apesar do status de promissor, Simeone nunca lhe deu chances no Atlético. O atacante chegou a se apresentar no time e, até mesmo a treinar com os Rojiblancos. No entanto, não obteve êxito por lá, não jogou de forma oficial pelo clube nenhuma vez.

Borré
Apresentação de Borré no Atlético de Madrid (Foto: Divulgação/Atlético de Madrid)

Em uma entrevista em 2018, o atacante falou sobre sua experiência na Europa. Borré afirmou que não recomenda que jovens jogadores se lancem na Europa sem antes obter uma “casca”. Aliás, para ele é essencial que o jogador participe de torneios de alto nível e que esteja entre os melhores jogadores. Não vale a pena ir para o Velho Continente “sem ter certeza dos minutos que poderá jogar”, disse o atacante. Para o bem da sua carreira, tudo mudou quando o River Plate decidiu contar com ele.

A AFIRMAÇÃO NO RIVER PLATE

Em 2017, o Milionário adquiriu parte do passe do jogador, o vínculo era válido até junho de 2021. O artilheiro veio para substituir nada menos que Lucas Alario, o goleador curinga de Marcelo Gallardo. Contudo, o técnico não garantiu a titularidade de Borré, dessa forma foi responsável pelo que o artilheiro viria a se tornar na equipe.

De início, o jogador era considerado uma aposta perigosa do técnico, sua chegada foi motivo de críticas. Certamente, a rápida e apagada estadia na Europa não lhe rendeu grande fama. Por isso, Borré passou por um cronograma de recuperação mental, física e técnica ao chegar na Argentina.

Além disso, o atacante assistiu do banco o River ser eliminado pelo Lanús na semifinal da Libertadores 2017. Só em 2018, o jogador converteu o descrédito em aplausos. Foi dele o gol que deu brecha para a virada do River na semifinal da Copa Libertadores, naquele jogo polêmico contra o Grêmio. O artilheiro foi campeão do torneio pelo time, mas suas melhores temporadas seriam 2019/2020.

Borré estava obstinado a melhorar, dessa forma contratou um preparador físico particular em 2019. Seu nome é Jaime Pabón, conhecido por grandes nomes do futebol mundial. O objetivo era afiar as suas finalizações com trabalhos intensivos e correção de erros. Jaime ajudou ninguém menos que Salah, quando esse ainda jogava pela Roma.

Jaime Pabón
Borré ao lado do preparador Jaime Pabón (Foto: Arquivo pessoal/Jaime Pabón)

COLHENDO OS FRUTOS

Como resultado, Borré se tornou decisivo para os Milionários. O talismã deixou sua marca nos momentos em que os argentinos mais precisaram na Libertadores. Contra o Boca Juniors na semifinal de 2019, e contra o Flamengo na final.

Nesse período, o atacante balançou as redes em mais oportunidades nos principais torneios que disputou. Em resumo, em três anos de River, Borré marcou 25 gols pela Liga Argentina. Pela Libertadores, ele somou 13 gols no total, também ficou com a vice-artilharia do torneio em 2020, com 7 gols.

Vale ressaltar que o atacante não possui grande histórico de lesões. Em 146 jogos pelo River Plate, o jogador marcou 55 gols. Na lista dos artilheiros da Era Gallardo, Borré superou Lucas Alario, que deixou o time com 41 gols. Assim, assumiu o primeiro lugar da lista e também se tornou um dos maiores goleadores de seu país entre os que já vestiram a camisa do River.

Os dados do atacante não parecem altos, mas vale lembrar que a sua atuação dinâmica em campo influenciou na sua presença constante entre os titulares. Logo é possível entender porque se tornou homem de confiança de Gallardo. Em uma entrevista ao Goal, pouco antes de fazer seus nome no Milionário em 2018, Borré demonstrou saber bem das suas qualidades.

“Sou um jogador muito inteligente na hora de jogar, um jogador muito rápido que sabe encontrar espaços, que sabe se delinear ao receber, sabe quando fazer os movimentos e que tem movimentos importantes para quebrar a defesa rival”.

BORRÉ VIU SEU PASSE FICAR CARO

O jogador que é muito elogiado por deixar tudo em campo, foi assediado por clubes vizinhos. O seu valor subiu no mercado, algo que assustou até os mais estáveis como Palmeiras e São Paulo. O Verdão foi mais atrevido nas investidas, mas também foi cauteloso. Há quatro anos, o clube apostou caro em outro colombiano, Míguel Borja. O artilheiro do Atlético Nacional custou chegou badalado no Palestra, mas não deu o retorno esperado.

Porém, os conterrâneos apresentam perfis diferentes no campo e no espírito. Borré é um tipo mais versátil, já afirmou que joga na ponta ou como um “9 clássico”, ou onde for melhor para o time. O atacante também demonstra mais entusiasmo, parece mais assertivo e reconhece suas capacidades. Tudo isso pelo apoio de seu maior mentor: Marcelo Gallardo.

*Coluna atualizada em 13/07/21

Foto Destaque: Divulgação/River Plate

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Escolhi o jornalismo porque sou apaixonada por escrever e por grandes histórias. Escrever sobre futebol não é um trabalho pra mim, é um hobby. Hoje curso Relações Públicas e pretendo um dia trabalhar na comunicação interna de um clube de Futebol.

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