Brasil perde a América para a Argentina

Sim, este sábado, 10 de julho de 2021, foi um dia difícil. Mas, por muitos motivos será um dia histórico, inesquecível e que ficará nos anais do futebol. Isso porque, foi o dia em que o “Brasil perde a América para a Argentina”. Foi a data em que a Seleção Brasileira caiu diante da sua maior rival (Argentina), ainda por cima, no seu principal palco, o Maracanã. Os “Hermanos” venceram por 1 x 0, com gol marcado por Ángel Di Maria, após falha terrível de Renan Lodi, e ficaram com a taça da Copa América. E, se não bastasse, foi a noite que coroou o sucesso de Lionel Messi. Afinal, foi o primeiro título relevante do astro pela equipe principal de seu país, um objetivo perseguido há muito tempo. Com isso, se encerrou um jejum dos argentinos de 28 anos sem taças.

Que enredo terrível para uma camisa tão gigante como a nossa verde e amarela. No entanto, é uma história que veio para escancarar diversas falhas e erros que precisam ser corrigidos urgentemente na Seleção Brasileira. Aliás, em todo o futebol nacional. Afinal, onde estão as jogadas bonitas, envolventes e a ginga canarinha? Onde está aquela Seleção cativante, que arrancava lágrimas e suspiros do torcedor cada vez que entrava em campo? Onde está a garra, o suor e o amor a uma camisa tão pesada e importante como a brasileira? Pois é, vivemos para ver uma geração onde o respeito, amor e temos pela amarelinha é maior lá fora, do que no próprio Brasil. Mas, afinal, por que tudo isso acontece? Vamos ver alguns dos motivos.

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Uma Seleção de figurinhas repetidas

Uma das coisas mais evidentes durante a partida da final da Copa América foi a baixa qualidade em diversos setores, a começar pela lateral. Enquanto temos uma defesa sólida e bem entrosada com Silva e Marquinhos, nossa Seleção ainda não encontrou laterais a altura de sua história. Uma posição que é marcada por nomes inesquecíveis como Cafu, Marcelo, Dani Alves, Maicon, hoje não tem um nome de qualidade. Prova disso foi a falha grotesca de Lodi.

Outro problema é a criação e articulação de jogadas. Onde está nosso meio de campo mesmo? O Brasil carece de um bom volante e de um meia criativo e perspicaz em campo. Não adianta nada ter o melhor camisa 9 ou 10 se não tem ninguém para lançar uma bola boa ao ataque, ou começar uma jogada. Falta dinamismo, velocidade e muita qualidade para essa Seleção. E não é de hoje. Alô 7 x 1! Pois é, desde 2014 ainda estamos procurando essa renovação que não chega nunca. E, não vou nem discutir o ataque, que é para não gerar mais polêmica. Mas, fica a reflexão. O Brasil precisa se reinventar. Já passou da hora de vermos novos nomes nesse time, falta de talento no país não é.

Copa América é superada por crise política e sanitária  

Não dá para falar de Copa América sem citar a polêmica coronavírus. Foi com certeza um desgosto ver questões urgentes de saúde serem colocadas em segundo plano. Afinal, o Brasil foi escolhido pela Conmebol como sede depois de Argentina e Colômbia declinaram de receber o campeonato devido à pandemia. Como se no nosso país a situação não estivesse tão crítica quanto.

Além disso, foi um momento onde vimos críticas ao governo, com protestos e cobranças, por conta da demora para respostas aos e-mails para negociações de vacinas. Afinal, para a Copa América encontrou-se tempo, para vacinas não. Porém, isso não é uma crônica sobre política, mas sim sobre esporte. Então deixemos este tema para sua reflexão pessoal.

 Brasil perde a América para a Argentina

Durante o torneio a Seleção Brasileira definitivamente não convenceu. Mostrou um futebol muito abaixo da categoria que o torcedor já viu. Quem, como eu, assistiu gerações como as dos anos 90 e as do penta em campo que o digam. Que saudades de um futebol arte bem jogado. Ao contrário, o que vimos, foi um time vencer por sorte ou por um e outro talento individual que se sobressaiu na hora certa. Além da Seleção ter contado com adversários fracos e em situação ainda pior em nível de qualidade técnica. Aliás, mesmo a Argentina e o Uruguai, nomes grandes na América do Sul também deixaram muito a desejar. O futebol sul-americano está em crise. Com esse desempenho será difícil imaginar a Copa de 2022.

Mas, os Hermanos souberam vencer. Tiveram o fator Messi, que pesa muito em campo. Tiveram um Di Maria voltando a boa forma dentro da Seleção. Ainda, pode-se ver jogadores coadjuvantes crescerem no momento de final, como De Paul, que originou a jogada do gol e foi fundamental para a Argentina. Além do goleiro Martínez, que estava em excelente forma e defendeu as poucas chances que o Brasil teve de encostar no placar. Por isso, o “Maraca” assistiu a uma festa com nuances de albiceleste.

Com brasileiro, não há quem possa

São mais de 100 anos de uma rivalidade histórica entre Brasil e Argentina. Mas, infelizmente, fomos nós a assistir à Seleção perder um título em casa para a rival. Sim, foi uma noite triste, revoltante, vergonhosa. Mas, jamais perco a esperança de ver um Brasil melhor. Afinal, essa camisa canarinha é gigante, é pesada, e não é à toa. Até por isso a festa dos Hermanos.

A cobrança é sim dura e válida. Porque sem reflexão crítica a gente não cresce. Já vimos outras seleções saírem de crises e dar a volta por cima, não tem motivo para o Brasil fazer diferente. E sabe por que eu cobro? Porque tenho muito orgulho de ostentar a única camisa de Seleção com cinco estrelas no peito, com uma história gloriosa, com nomes inesquecíveis nos gramados. Então, acorda Brasil! A taça do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa. E não há mesmo!

Portanto, muda Brasil! Brasil perde a América para a Argentina, mas isso não é o fim, mas sim uma oportunidade de recomeço. Volta a ter aquele bom e velho futebol arte que tanto somos saudosos. Volta a ser uma camisa temida e respeitada. Desperta novamente a paixão ardente do teu torcedor. Volta a encantar em casa. Volta a ser a Seleção que aprendemos a amar desde pequenos. E que venham as próximas Copas.

Foto Destaque: Thiago Ribeiro/AGIF   

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Estudante de jornalismo, escritora e fotógrafa freelancer. Futebol, esportes de velocidade, futebol americano e basquete são suas paixões quando não está escrevendo ou viajando. Conheça suas fotos no Instagram @eucarlataissa.

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