Cobreloa: o super time vice da Libertadores em 81 e 82

Nos anos de 1981 e 1982 a América foi dominada por Flamengo e Peñarol, após terem conquistado a Taça Libertadores, respectivamente. No entanto, um super time recém-formado deixou sua marca sendo vice-campeão de forma consecutiva na competição, era ele o Cobreloa, do Chile.

Antes de mais nada, o clube que teve sua formação em 1977 se tornou uma potência em muito pouco tempo. Sendo assim, precisou de apenas cinco anos para conquistar dois títulos nacionais e se tornar por duas vezes seguidas o segundo melhor time da América. Veja a seguir, na coluna Alma Roja, a campanha dos Zorros del Desierto no auge de 81 e 82.

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O começo de um projeto vencedor

No dia 7 de janeiro de 1977, a partir de uma empresa mineradora de cobre do Chile, fundou-se o Deportes Amador Loa, o time da província de Loa que logo depois se chamaria Club de Deportes Cobreloa. A equipe contava com um grande patrocínio e rapidamente começou a dominância em solo chileno.

Primeiramente, já em 77, os Zorros del Desierto conseguiram acesso à elite do futebol do Chile e precisaram de apenas três anos para conquistarem seu primeiro título nacional. A partir daí, com um super elenco e grandes investimentos através do patrocínio do Estado, surgiria a dinastia Cobreloa.

O primeiro vice da América

Foi em 1981, na 22ª edição da Copa Libertadores, que o Cobreloa fez sua estreia na competição. Naquele momento, 21 times disputariam pelo título de melhor da América, que era defendido pelo Nacional, do Uruguai. Todavia, além dos Loínos, o Chile tinha como representante a Universidad de Chile.

Os participantes chilenos caíram no grupo 5, juntamente com Sporting Cristal e Atlético Torino, que representavam o Peru naquela edição. Em suma, somente o 1º colocado de cada um dos grupos avançariam para a 2ª fase da competição, exceto o atual campeão, que se classificava diretamente para a fase final.

Em busca da classificação

Os Zorros del Desierto estavam em um grupo muito acirrado, mas começaram a competição com o pé direito. Logo no primeiro jogo aplicaram uma goleada de 6 x 1 em cima do Atlético Torino, placar que se repetiu diante do Sporting Cristal. O clube encerrou sua participação jogando em casa com vitória por 1 x 0 frente a Universidad de Chile.

Em contrapartida, os chilenos mostraram que não só tinham um ataque extremamente eficaz, como também uma defesa sólida atrás. O time marcou 14 gols e sofreu apenas três. Além disso, não perderam nenhum jogo, foram três vitórias em casa e três empates como visitantes que garantiu o 1º lugar do grupo.

Um passo para a grande final

Com o 1º lugar garantido no grupo, o Cobreloa teria pela frente mais uma parada dura para encarar. Sendo assim, o time laranja caiu num grupo de representantes uruguaios, eram eles o Peñarol e também o Nacional, atual detentor do título de melhor time da América.

Contrário ao que todos pensavam, os Loínos não tomaram conhecimento dos uruguaios e seguiram para a final sem grandes dificuldades. Novamente sem saber o que é perder, os chilenos venceram três jogos e empataram um. Foram nove gols feitos e cinco sofridos.

Os novatos na final

Finalmente é chegada a decisão da competição que seria disputada contra o badalado Flamengo, de Zico e companhia. Foram necessários três jogos para definir o campeão, que ficou com time da Gávea. Contudo, os chilenos fizeram história e venderam caro esse título.

O primeiro jogo foi realizado dia 13 de novembro no Maracanã, e o flamengo saiu vitorioso com o placar de 2 x 1. Os gols foram marcados por Zico (2x) e Merello descontou. Com esse resultado diante o Rubro Negro, os Zorros del Desierto conheceram sua primeira derrota na competição.

Eventualmente, o Cobreloa necessitava de uma vitória para continuar vivo na competição. Sendo assim, o técnico Cantatore realizou algumas mudanças para o jogo da volta e saiu vitorioso. Aos 79’ Merello teve oportunidade em cobrança de falta e guardou. Os chilenos venceram por 1 x 0 e forçaram o jogo de desempate.

No terceiro e último jogo, os Loínos pareciam mais nervosos que os brasileiros e viram, aos 13’, Zico abrir o marcador. Mesmo atrás do placar, havia muito entrega por parte dos chilenos que perdiam muitas chances de empatar o jogo, enquanto começavam a chegar de forma mais desleal no adversário.

Foram três cartões vermelhos para o lado chileno, contra dois expulsos do Rubro Negro. Entretanto, mesmo com jogadores a menos, os Loínos conseguiam criar chances, mas pecavam na finalização ou paravam nas boas defesas do goleiro Raul. Por fim, aos 79’, Zico cobrou falta com maestria e fechou o placar. Flamengo campeão.

O Cobreloa fez uma ótima estreia na competição. Além de ficar com a vice-campeonato, o clube também teve a defesa menos vazada na fase inicial, com apenas seis gols sofridos e obteve a marca de maiores goleadas, com o 6 x 1 em cima de Torino e Sporting Cristal.

A BUSCA PELO TOPO CONTINUA

Após as amargas perdas da Libertadores e do Campeonato Nacional em 81 para Flamengo e Colo-Colo, respectivamente, o Cobreloa voltou para temporada de 1982 em busca de redenção. O clube teve uma manutenção do elenco e outra vez queriam mostrar que podiam alcançar mais.

Naquele ano, os Zorros del Desierto foram campeões nacionais. No entanto, o grande objetivo da temporada era ter seu nome estampado no topo da América. Sendo assim, em 7 de março começara a caminhada em busca da Copa Libertadores.

O recomeço na Libertadores

Naquela edição, o Cobreloa representava o Chile juntamente com o Colo-Colo. Além deles, LDU e Barcelona, ambos do Equador, estavam na briga pela vaga na semifinal. Os chilenos fizeram uma campanha extremamente parecida à da edição anterior e, com isso, conseguiram avançar para a próxima fase.

A equipe teve sua estreia diante do rival Colo-Colo. O duelo terminou sem gols, mas ambos ainda proporcionariam grandes emoções. No último jogo, os Loínos precisavam da vitória diante do rival para ficar com o 1º lugar. Dessa forma, após um 2 x 0 em casa, conseguiram a ultrapassagem e avançaram no torneio.

Assim como no último ano, o clube encerrou sua participação na primeira fase sem saber o que é derrota. Foram três vitórias em casa e três empates como visitantes. Além disso, os chilenos tiveram a segunda melhor defesa, com apenas dois gols tomados, e o segundo melhor ataque, com nove feitos.

Na raça e no suor os Loínos avançam

Primeiramente, contrário à edição passada, nessa fase os chilenos tiveram que suar a camisa para avançarem às finais. Assim, o Cobreloa dividiu grupo com Olimpia, do Paraguai (quem obteve o melhor ataque da primeira fase), e Tolima, da Colômbia, que, junto aos chilenos, conseguiram o segundo melhor ataque na competição.

Os Zorros del Desierto começaram com o pé esquerdo na semifinal. A equipe chilena foi até o Equador encarar o Tolima e o retrospecto de não vencer fora de casa assombrou novamente. Os colombianos ganharam por 1 x 0 e o Cobreloa conheceu sua primeira derrota na competição.

No segundo jogo, atuando em casa, no Estádio Municipal de Calama, os Loínos se recuperaram e deram o troco ao Tolima. Com uma vitória por 3 x 0 frente aos colombianos, o time da casa assumiu a ponta da tabela e só dependia de si para chegar na final.

Eventualmente, os chilenos teriam pela frente o Olimpia em duas oportunidades. No primeiro jogo, o clube não conseguiu sair com a vitória jogando fora de seus domínios novamente. Entretanto, o time laranja arrancou um empate importante e decidiria a vaga jogando diante da sua torcida, no Chile.

No segundo jogo, o Cobreloa tomou conta das ações. Mesmo com uma partida questionável do árbitro brasileiro Assis de Aragão, os chilenos pressionaram o adversário que apenas se defendia como podia. Contudo, os Zorros del Desierto acharam um gol salvador que garantiu a volta do clube à segunda final da Libertadores consecutiva.

A amarga derrota de 82

Outra vez os chilenos estavam na decisão da Copa Libertadores. Agora, eles teriam pela frente um velho conhecido, o Peñarol, do Uruguai. Os clubes já haviam se encarado na semifinal da edição de 81. Na ocasião, os chilenos venceram as duas partidas e teriam a oportunidade de repetir o feito.

No primeiro jogo as equipes não saíram do 0 x 0. O duelo ocorreu em Montevidéu e, com isso, os chilenos teriam a chance de serem campeões em casa, desde que vencessem. Havia muitas expectativas, já que o clube contava com um excelente retrospecto jogando no Chile.

Na Libertadores, desde sua estreia, em 1981, foram 11 jogos em casa. Os Loínos obvtiveram uma marca de 10 vitórias, um empate e não sabiam o que era perder nos seus domínios. No entanto, no dia 30 de novembro, diante de cerca de 70 mil torcedores, o Cobreloa conheceu sua primeira derrota em casa na competição.

Portanto, como era de costume quando atuavam em casa, os Loínos atacavam em grande quantidade, sem deixar que o adversário jogasse. Entretanto, mesmo com o controle das ações, os chilenos pecavam no último terço do campo perdendo muitos gols frente ao goleiro adversário.

Dessa forma, quando tudo se encaminhava para o jogo de desempate, o Peñarol acabou com o sonho chileno. Aos 89’, após contra-ataque rápido, Fernando Morena foi acionado na área, chutou na saída do goleiro e fechou o placar no Chile. Com a derrota por 1 x 0, os chilenos ficaram novamente com o vice da América.

Por fim, mesmo sem a conquista do título, o Cobreloa colocou seu nome na história e mostrou que podia fazer frente às grandes potências do futebol.

Foto destaque: Divulgação / Cobreloa

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Apaixonado por futebol desde os três anos de idade, fui descobrindo ao longo do anos que o amor por esportes não era restrito só ao futebol. Hoje, estudo jornalismo e tenho como grande objetivo cobrir os grandes eventos esportivos pelo mundo a fora. Sou torcedor, tricolor e acima de tudo apaixonado pelo que aquece o coração, sempre com a missão de levar informação.

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