Japão

Nesta semana, a coluna Samurais da Bola traz uma análise do futebol japonês após o mundial de 2002, que se realizou no Japão e na Coréia do Sul. Bem verdade, é necessário ir um pouco mais atrás no tempo, no início dos anos 1990, para relembrar o desenvolvimento do esporte no país.

A princípio, o futebol no Japão iniciou uma nova escrita a partir de 1992. Quando, em uma tentativa de revigorar o esporte no país, foi criada a J-League. Assim como, grandes estrelas do futebol mundial estiveram no processo de tentar popularizar o desporto no país oriental. Atletas, como Zico, Dunga e Gary Lineker, são apenas alguns exemplos de quem ajudou a desenvolver o esporte.

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Dessa forma, após investir em pessoas que poderiam ajudar a melhorar o nível do futebol local, houve a organização de uma liga forte. Além disso, surgiram investimentos em futebol de base. O esporte no Japão já rendeu frutos em 1998 – ano em que o país se classificou para sua primeira Copa do Mundo.

BASTIDORES PARA UMA COPA DO MUNDO NO JAPÃO

Antecipadamente, o até então presidente da FIFA, João Havelange, no ano de 1989, já havia indicado que a Copa de 2002 seria na Ásia. Dessa maneira, os japoneses criaram um comitê para dar inicio a uma candidatura. Até então, todas as Copas tinham sido ou na América ou na Europa.

Assim sendo, o lema foi: “Primeira na Ásia, Japão 2002”. O projeto contava com a simpatia de Havelange. Contudo, uma forte oposição dentro da FIFA apoiava a candidatura sul-coreana, com Chung Mong-Joon na liderança do projeto.

Logo depois, no ano de 1996, quando seria escolhida a nova sede, surgiu a ideia de uma co-organização. De fato, àquela altura, a oposição da Federação Internacional do Futebol se via muito forte. E era bastante provável que conseguisse fazer a Copa na Coréia do Sul.

Desse modo, Havelange tratou de convencer Sunichiro Okano, nome forte da organização japonesa, além disso dialogou com os governos de ambos países. Dessa forma, foi feita a aliança entre Japão e Coréia do Sul, que sediaram a Copa juntos. Ademais, o anúncio oficial foi feito um dia antes das eleições da sede de 2002.

O JAPÃO EM 2002

Em síntese, a Terra do Sol Nascente desempenhou bem como uma das equipes sede da Copa. Os Samurais estiveram no Grupo H, junto com Bélgica, Rússia e Tunísia. Decerto, antes do torneio começar, a expectativa estava em, no máximo, conquistar o 2º lugar no grupo. Contudo, os japoneses terminaram a fase de grupos na liderança.

Primeiramente, em Saitama, a seleção estreou contra os belgas. Aliás, foi uma partida muito movimentada. Logo, terminou com o placar de 2 x 2 dando números finais. Decerto, um bom resultado contra o melhor time do grupo.

Em seguida, cinco dias depois, os Samurais Azuis enfrentaram os russos, em Yokohama. Apesar de terem sido dominados em boa parte do tempo, o Japão saiu vencedor com o placar de 1 x 0.

Pela última rodada, o Japão enfrentou a Tunísia, em busca de confirmar a classificação. Em Osaka, os japoneses fizeram o placar no segundo tempo. 2 x 0, e a classificação assegurada.

Nas oitavas de final, o Japão enfrentou a Turquia, em Miyagi. Infelizmente, para os donos da casa, apesar de muito esforço, os Samurais perderam pelo placar de 1 x 0. Silêncio comovente após o apito final.

RESULTADOS DOS SAMURAIS AZUIS APÓS 2002

Dessa forma, após o mundial de 2002, o futebol japonês subiu de nível. De tal forma que se estabilizou como uma das potências do esporte asiático. Aliás, desde que foi para sua primeira Copa do Mundo em 1998, os japoneses estiveram presentes em todas as outras edições, sem exceção.

Além disso, algumas conquistas surgiram. Os Samurais venceram a Copa da Ásia em 2004 e 2011. Além disso, conseguiram passar da fase de grupos outras duas vezes, em Copas do Mundo. Tanto em 2010 e 2018. Ambas parando nas oitavas.

RESULTADOS DA NADESHIKO APÓS 2002

Por outro lado, as mulheres tiveram resultados impressionantes. Contudo, a ascensão das japonesas foi muito vertiginosa. Até 2010, a seleção não tinha grandes resultados. Muito expressivos, nada disso. Porém, a geração de 2011 até 2015 foi uma de ouro, que conquistou coisas até antes inimaginável.

Primeiramente, em 2011, as japonesas foram campeãs da Copa do Mundo. Venceram os Estados Unidos na grande final. Na sequência, em 2012, nos Jogos Olímpicos de Verão, foram prata contra as americanas. Em seguida, no ano de 2015, mais uma grande final para o Japão. Mais uma vez contra o conjunto dos EUA. Contudo, diferente da Copa anterior, as nipônicas saíram derrotadas e com o vice.

Além disso, as japonesas também venceram a Copa do Mundo sub-17 em 2014. E, em seguida, a Copa do Mundo sub-20 em 2018. Ou seja, o futuro do futebol feminino japonês mostra que as glórias de passado, de uma outra geração, possa ser reeditado em alguns anos. O trabalho de base vem sendo bem feito.

Ainda mais, para coroar e reconhecer o tamanho do feito das japonesas, Homare Sawa foi eleita, merecidamente, a melhor jogadora de futebol de 2011. Assim, superou, inclusive, Marta e Abby Wambach.

RESULTADOS DOS TIMES JAPONESES

A princípio, antes de 2002, o Japão tinha três títulos na Champions da AFC. Após o Mundial, o país conquistou mais quatro taças. Além disso, em 2016, o Kashima Antlers chegou na final do Mundial de Clubes, contra o Real Madrid, levando a partida até a prorrogação. Bem como, ao falar do Mundial de Clubes da FIFA, relembramos que o Japão se tornou um dos organizadores do torneio, já recebeu oito edições e em 2021 sediará de novo.

Em suma, os japoneses são o segundo país que mais venceu a principal competição asiática. Aparecem atrás apenas dos sul-coreanos, outro país que organizou a Copa em 2002. Outro dado que ambos os países compartilham é que tanto a K-League, quanto a J-League, são as mais valiosas da Ásia.

REVELAÇÃO DE ATLETAS

Antes de mais nada, bons jogadores japoneses estão presentes nas melhores ligas do futebol mundial desde a geração de Hidetoshi Nakata e Shunsuke Nakamura. Contudo, cada vez mais se vê atletas oriundos do Japão em maior quantidade e assumindo mais protagonismo.

Da geração que surgiu após Copa de 2002, Shinji Kagawa e Keisuke Honda foram os atletas de maior protagonismo no mais alto nível do futebol europeu. Assim, Kagawa atuou como titular absoluto na sua primeira passagem no Borussia Dortmund. Em seguida foi negociado com o Manchester United. Honda marcou época no CSKA e teve passagem pelo Milan. 

Do mesmo modo, outro japoneses tiveram ou têm carreiras consolidadas no Velho Continente. É o caso de Makoto Hasebe, titular e capitão do Eintrach Frankfurt. Assim como, Maya Yoshida, atleta ex-Southampton e atual Sampdoria. Além disso, Yuto Nagatomo é outro jogador com carreira longa na Europa, passando pela Inter de Milão. Exemplos de bons jogadores, que tiveram uma boa base no seu país de origem e que contaram boa performance na Europa, não falta.

Assim como esses nomes que já estão em parte mais final de carreira, alguns jovens jogadores surgem. O nome mais famoso, sem dúvidas, é de Takefusa Kubo, O atacante, que passou pela base do Barcelona, atualmente pertence ao Real Madrid.  Foi emprestado para Mallorca, Villarreal e Getafe para ganhar mais experiência e rodagem. Ainda assim, tem apenas 19 anos e um futuro grande pela frente.

Por fim, outros nomes que surgem como grandes promessas para os Samurais Azuis são os de Takuhiro “Pipi” Nakai, atleta do Real Madrid, Ritsu Doan, Yukinari Sugawara, Takehiro Tomiyasu e, por último, um jogador que ainda está no Japão e que você pode acompanhá-lo no FNV Sports, Kaoru Mitoma, do atual campeão Kawasaki Frontale.

Foto destaque: Divulgação/JFA Nadeshiko

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Historiador pela UFPE e graduando em Jornalismo pela UniNassau.

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