Colômbia

O mês de maio trouxe à tona o caos que vivem os colombianos. Desde a primeira semana, manifestantes saíram às ruas para protestar contra a desigualdade social e corrupção no país. Os grupos desafiaram a ordem judicial que vetava as marchas devido ao aumento de casos de Covid-19. Dessa forma, o governo  acionou as forças armadas, que teve que agir em diversas cidades da Colômbia, o que já resultou em mortos e desparecidos. No entanto, mesmo em meio ao caos, o presidente do país, Iván Duque, insiste em defender seu país como sede da Copa América 2021.

O ESTOPIM DOS PROTESTOS

A princípio, os sindicatos do país entraram em greve nacional para se opor à reforma tributária proposta pelo governo. No dia 3 de maio, houve protesto em frente a casa do presidente, na capital Bogotá.

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No entanto, o cenário ganhou outras proporções devido à situação de pobreza que vive o povo da Colômbia, que piorou desde o início da pandemia. Os protestos, em sua maioria, foram pacíficos, mas também houve atos de vandalismo. O recuo do líder sobre a reforma não conseguiu acalmar os ânimos pelas ruas.

Os grupos enfrentaram uma forte repressão do governo, que respondeu com a mesma força policial militar que costuma empregar no combate à rebeldes e crime organizado. Além disso, segundo a organização Temblores, que documenta o abuso de autoridade, ocorreram 10 atos de violência sexual por parte das forças armadas durante os protestos no país.

Como resultado, os confrontos já deixaram pelo menos 24 mortos, a maioria militantes, e pelo menos 87 desaparecidos. Os órgãos de controle garantem que há mais de 400 policiais feridos.

Em resumo, os protestos são, em parte, a continuação de um movimento que varreu a América Latina no final de 2019, quando as pessoas tomaram as ruas na Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Nicarágua e outros lugares.

O protesto de cada país foi diferente. Mas, em todos eles, as pessoas se queixavam sobre a falta de oportunidades, corrupção e maus representantes. Então veio a pandemia, e a América Latina foi uma das regiões mais afetadas pelo vírus em 2020, com cemitérios lotados ao limite.

Em muitos lugares, o desemprego entre os jovens disparou. As ruas de Bogotá pareciam vazias quando a pandemia começou em março de 2020, mas nos primeiros meses de 2021, a crise gerada pela Covid-19 só se agravou.

O FUTEBOL NO FOGO CRUZADO

O futebol faz parte das atividades afetadas pela pandemia. No entanto, é uma das poucas que conseguem operar neste momento. Na Colômbia, os torneios de futebol estão em curso, com suas regras de prevenção e restrição sanitárias. Porém, os casos de infecção nos clubes continuam aparecendo.

Na Liga Betplay Dimayor, torneio nacional de futebol do país, o Rionegro Águilas já teve que jogar com sete jogadores em campo após ter quase todo seu elenco infectado. Além disso, as entidades seguem com problemas em relação a mandos de jogos em torneios continentais como Sul-americana e Libertadores.

O El Campín, um dos principais estádios do país, continua vetado para receber partidas. Aliás, muitos jogos estão sendo realizados, inclusive, fora da Colômbia. Há um receio natural de receber estrangeiros.

A Conmebol anunciou que a Copa América 2021 terá como sede Colômbia e Argentina. A partida de abertura será em Buenos Aires, enquanto a final será em Barranquilla. Desta vez, a disputa não terá convidados. “O torneio não muda de formato e será disputado pelas 10 seleções da América do Sul”, declarou a Conmebol em seu comunicado.

Agora, a Colômbia atravessa um momento difícil devido aos protestos contra o governo, além do terceiro pico da Covid-19. Contudo, o presidente Iván Duque defende que a Copa América seja disputada no país.

Seria um absurdo não realizar uma Copa se realizam um Campeonato Europeu e, sobretudo, quando os dados epidemiológicos em vários países são semelhantes ou até piores em alguns lugares do que os de países latino-americanos”, disse o chefe de Estado à Blu Radio.

O presidente da Dimayor, Fernando Jaramillo, espera que a Liga Betplay finalize em junho, pois logo os estádios serão entregues à Conmebol para a disputa entre Seleções.

Foto destaque: Reprodução: Nytimes

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É jornalista de formação. Atua na área de esportes e cobre futebol. Com foco em webjornalismo, se dedica a criação de conteúdo especializado na internet, redes sociais e blogs.

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