Jorge Valdivia

A coluna Alma Roja de hoje é sobre um jogador que já fez sucesso no Palmeiras; é identificado com o Colo-Colo; é polêmico e já sofreu com muitas lesões. Estamos falando de Jorge Valdivia. Em primeiro lugar, o meia se notabilizou no Brasil, mais precisamente no Verdão. Além do mais, ficou marcado na história da Seleção Chilena ao vencer a Copa América de 2015. Com essas e outras, veja mais sobre a história de Valdivia dentro das quatro linhas.

O INÍCIO DA CARREIRA

Jorge Valdivia teve sua formação na base do Colo-Colo. Em 2003, o meia subiu à categoria profissional da equipe. Mas sequer realizou uma partida no time principal do El Cacique. Logo, no mesmo ano, o jogador teve a primeira experiência na carreira, no Universidad de Concepción, do Chile. Em seguida, teve passagens por Rayo Vallecano, da Espanha, e, por fim, se aventurou no futebol da Suíça, no Servette. Todos por empréstimos.

Advertisement

RETORNO AO COLO-COLO

Primeiramente, o novato Jorge Valdivia retornou, em 2005, ao Colo-Colo – depois de rodagens em solo natal e europeu. No entanto, só em março, o meia fez sua primeira partida oficial por seu time formador. Assim, Jorge estreou na vitória do El Cacique (2 x 0) sobre o Cobreloa. Na temporada seguinte, ocorreu o ponto mais alto, até então, de sua carreira: vencer o Campeonato Chileno (2006). Após aquele ano dos sonhos para o jogador, veio a oportunidade de atuar no Brasil: na Sociedade Esportiva Palmeiras.

IDENTIFICAÇÃO COM O CHILE

Assim, Jorge Valdivia nasceu na Venezuela. Em contrapartida, o meia optou pela nacionalidade do Chile. Sendo assim, ganhou a oportunidade de atuar pelo país. Entre altos e baixos com a La Roja, o Mago disputou duas Copas do Mundo (2010 e 2014). O ponto máximo para a população chilena e ao jogador foi a conquista da Copa América de 2015 – na época, o primeiro título continental na história da seleção.

Em contato ao FNV Sports, o jornalista chileno Yerko Zencovich destacou a boa identificação de Jorge Valdivia com o Chile. E, ao mesmo tempo, lembrou que o título da Copa América fez com que o povo desse mais afeto ao meia.

“Sim. Ele tem bom reconhecimento pelo que fez durante vários anos com La Roja, especialmente pelo que conseguiu na Copa América de 2015. Aquela copa foi inesquecível para ele porque participou em vários jogos como titular e trouxe experiência e dinamismo à equipa nacional de futebol chilena”, afirmou Yerko.

Por fim, o jornalista ressaltou que o atleta é identificado com o Colo-Colo, mesmo que as ausências em alguns jogos tenham atrapalhado nas últimas passagens.

Jorge Valdivia é identificado com Colo-Colo. Mas nas suas últimas temporadas não alcançou o mesmo nível demonstrado no seu primeiro ciclo, devido às lesões que teve e que o levaram estar fora das partidas”, declarou.

DUAS PASSAGENS PELO PALMEIRAS

Em primeiro lugar, Valdivia passou pelo Palmeiras em dois momentos: 2006 a 2008 e 2010 a 2015. Após deixar o Colo-Colo, o jogador ingressou no Verdão. No clube, o meia venceu Campeonato Paulista, Copa do Brasil e Série B. A princípio, o chileno construiu uma relação de afeto – e até mesmo de ódio com alguns – no Alviverde Imponente. Fato é que, durante toda sua trajetória na equipe paulista, o Mago passou por vários problemas físicos e pessoais. Mas conseguiu ter seu destaque no time da capital.

Ao longo de duas passagens pelo clube, Jorge Valdivia é, ao lado do paraguaio Francisco Arce, os estrangeiros com mais partidas na história do Palmeiras – ambos com 241 jogos. Além disso, o chileno é, entre os gringos, o jogador que mais conquistou vitórias com a camisa do Verdão (122) e é o 6° maior artilheiro do Porco (41 gols).

A PRIMEIRA CONQUISTA NO VERDÃO

Em primeiro lugar, o título do Campeonato Paulista (2008) foi fundamental não só para Valdivia, mas também para o Palmeiras. Isso porque o Alviverde Imponente não vencia o Paulistão desde 1996 – em conquista sobre o Santos (2 x 0) – gols de Luizão e Cléber , no antigo Palestra Itália. Além disso, havia encerrado um jejum de oito anos sem troféus, sendo o último sobre o Sport (2 x 1), pela Copa dos Campeões (2000).

Voltando a falar do chileno, aquele torneio teve amplo destaque do Mago. Em suma, ele marcou, na final, no elástico placar do Palmeiras (5 x 0) em cima da Ponte Preta. E para coroar, ele terminou a competição como vice-artilheiro do clube (nove gols) e, de quebra, foi eleito o Craque do Campeonato.

COPA DO BRASIL, REBAIXAMENTO E SÉRIE B

Na temporada 2012, o Palmeiras conseguiu ir do céu ao inferno. A saber, a equipe vencia sua 2ª Copa do Brasil na história e, além disso, conseguiu ser rebaixado à Série B no mesmo ano. Assim, Valdivia teve sua contribuição ao marcar três vezes no torneio – principalmente nas fases finais, sendo um contra o Grêmio, na semifinal, e outro sobre o Coritiba, no primeiro jogo da final. Neste mesmo confronto diante do Coxa, o chileno fez falta no volante Willlian Farias, recebeu o segundo amarelo e foi expulso de campo.

Em contrapartida, o jogo da volta reservou momentos de emoção. Sem poder atuar, Jorge Valdivia viajou com o elenco e viu o Verdão de Felipão, Marcos Assunção, Betinho (autor do gol na final) e companhia levantarem a taça da Copa do Brasil.

Time base da final: Bruno; Artur, Maurício Ramos, Thiago Heleno e Juninho; Henrique, João Vitor, Marcos Assunção e Daniel Carvalho; Mazinho e Betinho.

Ao final da temporada, mesmo tendo conquistado um título de grande expressão nacional, a Sociedade Esportiva Palmeiras selou o 2° rebaixamento na história do clube ao Campeonato Brasileiro da Série B. Em suma, o Alviverde Imponente terminou aquele torneio na 18ª colocação (34 pontos), com nove vitórias, sete empates e 22 derrotas.

No ano seguinte, veio a disputa da Série B, que os palmeirenses tinham um olhar de obrigação da volta à Série A. A princípio, o chileno teve sua participação durante boa parte do campeonato. Veja, na campanha de 79 pontos do Verdão naquela competição, Valdivia atuou por 18 jogos, marcou três gols e contribuiu com nove assistências.

ENTREVISTA COM LEANDRO AMARO, EX-PALMEIRAS

Através de sua assessoria, o zagueiro Leandro Amaro, ex-Palmeiras e que fez parte do elenco de 2012, falou ao FNV Sports sobre sua relação com Jorge Valdivia. Além disso, o jogador disse como o chileno encarava as críticas dentro do plantel do Verdão.

“Um cara fantástico. Muito gente boa. Lembro quando eu cheguei no Palmeiras, ele me chamava de ‘canto’ e falava que se eu precisasse de qualquer coisa, poderia contar com ele. Novo no time né… ele foi um dos que me abraçou”, ressaltou o zagueiro.

“Ele sabia que era, e realmente era, o jogador diferenciado. E quando ele estava 100% para poder ajudar o time, ele jogava e resolvia, mas era um jogador experiente e sabia lidar com as críticas e usá-las de uma forma boa para ajudar o time”, completou.

Por fim, Leandro destacou que, para a vencer a Copa do Brasil, o elenco precisou “se fechar com o professor Felipão“.

“A questão ‘x’ naquele grupo foi o fechamento com o professor Felipão dentro das quatro linhas, tanto nos treinamentos quanto nos jogos. Porque como na maioria dos times, sempre tem um querendo ser mais que o outro, vaidades pessoais, e lá não era diferente, mas dentro de campo não tinha isso. Todos buscavam um só objetivo”, finalizou.

Em suma, Leandro Amaro ficou no Palmeiras entre 2010 e 2012, atuou em 71 partidas e marcou cinco gols. E a conquista máxima pelo clube foi a Copa do Brasil. Atualmente, aos 34 anos, o zagueiro veste a camisa do São Bernardo, de São Paulo.

ÚLTIMAS PASSAGENS NO COLO-COLO

Em junho de 2017, Valdivia retornou ao Colo-Colo. Porém, antes da vinda ao time do Chile, ele teve duas passagens pelo futebol dos Emirados Árabes Unidos: no Al Ain e no Al-Wahda. Por lá, foram quatro títulos conquistados, além dois prêmios individuais na liga Árabe: um como melhor jogador do campeonato e a outra como estrangeiro mais valioso do torneio.

Na volta ao Colo-Colo, Jorge Valdivia conquistou, logo de cara, o título do Campeonato Chileno (2017). E com o passar do tempo, a diretoria do clube decidiu não renovar o contrato do meia, que saiu em dezembro de 2019. Após isso, o atleta se aventurou no México, no Atlético Morelia e no Mazatlán – sem sucesso em ambos. Por fim, veio o fim de um ciclo no El Cacique. Em dezembro de 2020, o Mago retornou, em sua 3° passagem, na tentativa de salvar os chilenos do rebaixamento, mas jogou apenas três partidas. No entanto, os comandados do até então técnico Gustavo Quinteros se livraram do descenso. Após o término da liga, Valdivia saiu dos Los Albos, que, em seguida, assinou com o Unión La Calera.

Foto destaque: Reprodução/William West/AFP

Matheus Henrique Petolini
Escolhi fazer jornalismo em virtude da paixão pela comunicação, especialmente quando falo sobre futebol. Fiz estágio colaborativo na Premier League Brasil (03/2020 a 02/2021), para a editoria de Instagram. No momento, me vejo aberto para variadas opções dentro do jornalismo. Mas, com toda certeza, tenho o sonho da especialização em jornalismo esportivo. Gosto de novos desafios, pois são essenciais para o desenvolvimento de qualquer profissional. Logo, me vejo como uma pessoa bastante colaborativa e democrática, no campo das ideias e debates.

Related Post