Como era o mundo durante a criação do Lima Cricket, o 1° time da América

“Somos o primeiro clube fundado na América”, essa é a marca que o Lima Cricket & Football Club ostenta com orgulho em todos os seus endereços. Relembrar fatos simultâneos a criação do time peruano na coluna Guerreiros de Cubillas torna a sua história ainda mais singular.

Em 1859 – do Cricket ao futebol

Na metade do século 19, Charles Darwin chocava a todos ao publicar a obra Sobre a Origem das Espécies Através da Seleção Natural. O cientista trouxe à tona um trabalho de 20 anos. A ideia do homem criado a semelhança de Deus passava a rivalizar com a teoria científica da evolução natural do homem.

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Em paralelo a esse cenário sobre a criação do mundo, um grupo de trabalhadores britânicos criava o primeiro clube de futebol das Américas. Em 1859, nascia na capital Lima, no coração do Peru, o Club Lima Cricket, nas cores verde, branco e preto. Logo depois, passaria a se chamar Lima Cricket & Football Club.

Lima Cricket
Os britânicos fundadores do clube (Divulgação/Lima Cricket)

1912 – O primeiro campeão peruano

No século 20 foi criada a Primeira Liga do Futebol Peruano. Desse modo, pela primeira vez no Peru, uma equipe disputaria uma partida oficial de futebol. O torneio envolveu oito times: Lima Cricket, Sport Alianza (atual Alianza Lima), Association FBC, Miraflores SC, Jorge Chávez, N° 1 Escuela Militar, Sport Inca, Sport Vitarte. A regra de disputa era todos contra todos.

A primeira partida oficial do Peru foi o jogo entre Lima Cricket x Sport Vitarte. O Lima escalou seus jogadores de cricket em campo e goleou o Vitarte por 6 x 1. A equipe só perdeu uma vez na competição e levou o título. Desse modo, El Decano se tornou o primeiro campeão do Peru.

Nesse mesmo ano nascia, no Brasil, o Santos Futebol Clube, em 14 de abril. Um dos clubes mais bem sucedidos da América do Sul entrava em cena. Enquanto El Decano levantava a primeira taça do Campeonato Peruano.

Em 1914 – o bi do Lima Cricket

A Primeira Guerra Mundial eclodia e dividia o mundo em Tríplice Aliança e Tríplice Entente. Como resultado, o mundo ficou sob uma grave tensão e conflito armado. O desfecho foi milhões de soldados mortos.

Em 1914, a Liga Peruana já estava em sua 3ª edição, a essa altura El Decano já havia instalado uma rivalidade com o Ciclista Lima. Ademais, o Lima também levou o bicampeonato contra o Alianza. O clube também viria se tornar dono do terreno onde hoje está localizado o Estádio Nacional de Lima.

Vale ressaltar que os membros fundadores do clube eram da elite. Por isso, quase todos os times daquela época no Peru refletiam os valores das classes média e alta. Além disso, seus atletas também eram pessoas abastadas.

Lima
Jogadores de cricket formaram o time de futebol (Divulgação/Lima Cricket)

Em 1916 – O Lima preteri o futebol

O mundo ainda estava em guerra, a colisão durou quatros anos. No conflito entre alemães e franceses, os germânicos se depararam com uma arma surpresa. Pela primeira vez na história, um tanque de guerra era utilizado em combate. O arsenal era um segredo dos britânicos.

Nesse período, os ingleses do Lima Cricket encerravam suas atividades no futebol. A partir desse momento, o clube passaria a se dedicar a outros esportes. Assim, a associação seria, de fato, um clube poliesportivo. Uma pausa que durou quase 80 anos.

Ao focar em outros esportes, o clube expandiu seus negócios de recreação. Aliás, o futebol não era a principal atividade esportiva dos membros. Somente a partir da década de 90, o Lima voltaria a mirar o futebol profissional. Assim, o clube passou a disputar o torneio distrital da sua cidade, San Isidro.

Em 2021 – Um Lima Cricket moderno e modesto

Atualmente, o time de futebol continua a disputar a Liga de San Isidro, no torneio da Copa Peru. Seus feitos nos últimos anos se resumem a competições nada expressivas. Mas o clube ainda mantém vivo o desejo de voltar a disputar jogos nas divisões de elite, e dessa forma estar mais uma vez entre os grandes do futebol do peruano.

Foto destaque: Reprodução/Twitter

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Escolhi o jornalismo porque sou apaixonada por escrever e por grandes histórias. Escrever sobre futebol não é um trabalho pra mim, é um hobby. Hoje curso Relações Públicas e pretendo um dia trabalhar na comunicação interna de um clube de Futebol.

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