Rainhas da bola: um relato sobre ser mulher e gostar de futebol

Brasil, país do futebol, do Rei Pelé e com uma seleção penta campeã mundial. Nação de craques como Fenômeno, Romário, Rivaldo, Kaká, Neymar, e outros milhares de nomes que foram e ainda são referência no esporte. Brasileirão, considerado um dos campeonatos mais disputados e difíceis do mundo. São tantos os estádios, os campinhos, as escolinhas espalhadas por aí, tantos sonhos, tantos guris. Sim, no meio da realeza do tapete verde, infelizmente, ainda não se tem espaço para a mulher, as rainhas, apenas para um império masculino.

Mulheres no futebol

É absurdo pensar que estamos em 2021 e a maioria esmagadora das torcidas e atletas são homens. Ai de você mulher se falar que gosta de futebol, ou tentar conversar sobre o assunto. Mesmo com o crescimento do interesse feminino, mesmo com jogadoras do nível de Marta, Cristiane, Formiga, ainda falta muito para que o público feminino tenha representatividade no esporte. Aliás, isso ocorre em diversas categorias, não só no futebol.

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Mas, falemos da modalidade que está no DNA do brasileiro. Onde está o apoio que as jogadoras e equipes femininas tanto precisam? Não vale lembrar delas só na Copa do Mundo, ou nas Olimpíadas. Assim, as atletas precisam de apoio e reconhecimento diário, cobertura e patrocínio de seus campeonatos, espaço nas mídias dos clubes, espaço na TV e nas rádios. Mas, principalmente, espaço no coração do torcedor, que precisa demonstrar seu apoio. Afinal, talento nossas gurias já demonstram de sobra, driblando diversas dificuldades para fazerem o que amam.

Mas, não apenas isso. Assim, onde estão as categorias de base? Onde está o incentivo para que jovens e gurias se interessem pela modalidade? Onde estão as escolas, as peneiras, as categorias de base femininas? Ou ainda, onde estão as famílias, pais, mães, amigos, que deveriam incentivar a paixão nos pequenos corações? Ainda, onde está o espaço para que mulheres, jovens, filhas, esposas, fanáticas frequentem os estádios pelo Brasil? Pois é, são muitos os questionamentos e raras as respostas. Isso porque, futebol ainda é um espaço hostil para a participação feminina.

Empoderamento da mulher

Muita coisa já mudou e muito espaço foi conquistado, isso é verdade. Porém, a lista de objetivos que ainda falta alcançar é gigante. No entanto, a mudança precisa acontecer já, e não apenas entre as mulheres. Afinal, a gente precisa ver uma geração de mulheres empoderadas lutar por seu espaço. Porém, precisamos também de uma nova geração de homens que pense diferente, fora da caixa. Não dá mais para tolerar machismo, cantadas, piadas de mal gosto, provocações sexistas.

Precisamos então, de uma geração de jovens (garotos e garotas) que dividam de igual para igual os gramados e várzeas do Brasil. Amantes do esporte que não sejam diferenciados por seu gênero. Clubes que deem espaço para atletas de ambas as categorias. Investimentos em todos os campeonatos, não apenas nos masculinos. E patrocínios que deem oportunidades para ambos os gêneros.

Por outro lado, o futebol deve deixar de ser hostil e, ao contrário, ser receptivo para torcedoras nos estádios, nas organizadas, no barzinho, nas apostas, na rodinha de futebol. No esporte, precisamos ver jornalistas, assessoras, administradoras, médicas, fisioterapeutas, treinadoras, jogadoras, enfim, mulheres participando do dia a dia e ajudando tanto nos bastidores quanto no protagonismo do futebol. Nas redes sócias, uma mulher tem que ter liberdade de expressar seu amor pelo clube sem ouvir retaliação. Em suma, o Brasil, e outros lugares também, precisa realmente ser o país do futebol, para todos(as).  

Foto destaque: Divulgação/CBF

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Estudante de jornalismo, escritora e fotógrafa freelancer. Futebol, esportes de velocidade, futebol americano e basquete são suas paixões quando não está escrevendo ou viajando. Conheça suas fotos no Instagram @eucarlataissa.

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