Rodolpho Riskalla teve que superar desafios para se manter em forma

A preparação para participar de uma Paralímpiadas por si só já é difícil, mas os obstáculos aumentam quando se está no meio de uma pandemia. Foi nesse cenário que o cavaleiro Rodolpho Riskalla, dono de medalha inédita no adestramento, teve que superar desafios para se manter em forma.

Morando em Paris, Rodolpho foi informado que o Polo Club ficaria fechado por conta das restrições impostas para conter o avanço da Covid-19. Assim, não poderia treinar com seus cavalos. Para contornar a situação, alugou o terreno de uma amiga nos arredores da capital francesa. Lá pôde levar os animais e manter o ritmo de exercícios. Com ele, estava a mãe, sua treinadora, e a irmã, ex-atleta de adestramento, em um trailer arrendado. O plano era ficar apenas 15 dias, mas a estadia se prolongou por cerca de dois meses.

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Depois, com as fronteiras parcialmente reabertas na Europa, conseguiu levar os equinos para uma hípica da Alemanha. Todo o esforço deu certo e Riskalla conquistou a prata no adestramento classe IV (para cavaleiros com um ou mais membros debilitados ou algum grau de deficiência visual), com a pontuação de 74.659. Na categoria, homens e mulheres competem de igual para igual. Assim, o ouro foi para a holandesa Sanne Voets, com 76.585. Já o bronze ficou com a belga Manon Claeys, com 72.853.

O brasileiro ainda voltou para a pista na modalidade freestyle, mas terminou em 5°, com 74.070 pontos. Novamente, Sanne Voets ficou com o ouro, com a pontuação de 82.085. A sueca Louise Etzener Jakobsson fez 75.935 e levou a prata. O bronze foi para a belga Manon Claeys, com 75.680

Início nas Paralímpiadas

Inicialmente, Rodolpho competia no adestramento para atletas sem deficiência. Contudo, sem grandes resultados, encerrou a carreira em 2014. Morando na França por conta de seu trabalho como gerente na grife de luxo Christian Dior enfrentou momentos difíceis em 2015.

Primeiro, retornou ao país devido à morte do pai. Logo em seguida, outro drama: contraiu meningite bacteriana e ficou em coma por quase três semanas. No retorno à França, teve a parte inferior das pernas, a mão direita e dois dedos da mão esquerdas amputados como consequência.

Foi nesse momento que o esporte voltou para sua vida. O atleta se classificou para a Rio-2016. Lá, competiu na categoria III, onde ficou em 10° no individual e em 7° por equipes. Logo em seguida, outro baque: teve que aposentar o cavalo e ficou um ano sem competir. Em 2018 conseguiu Don Henrico. Com ele, foi duas vezes vice-campeão mundial de hipismo paraequestre. Agora, a dupla também ostenta uma medalha paralímpica no peito.

Foto: Divulgação/Comitê Paralímpico Brasileiro

 

Aline Louzano

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