Sergio Ibarra

Sergio Ibarra, conhecido no Peru por “El Checo” e “El Goleador Prehistórico”, é o principal artilheiro do Campeonato Peruano com 275 gols. Marcou época no futebol peruano, principalmente pelo Cienciano, onde conquistou a Recopa Sul-Americana em 2004 e o Apertura Peruano em 2005, além de ajudar o time permanecer na 1ª divisão em 2010. Esse é o tema da coluna Guerreros de Cubillas de hoje.

Nascido em Río Cuarto, Argentina, no dia 11 de janeiro de 1973. Jogou por mais duas décadas em 14 clubes do Peru. O que torna o feito do centroavante ainda mais especial é o fato de que nunca esteve no topo da artilharia de uma temporada do Campeonato. Ainda assim, a boa média de gols por ano o fez entrar para a história do futebol peruano.

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Começo da carreira de Sergio Ibarra

SergioEl ChecoIbarra, surgiu no modesto Sportivo Atenas, em 1991. Com 18 anos, foi para o Peru jogar a 2ª divisão do país pelo modesto Ciclista Lima. Depois foi para a 1 ª divisão jogar no Alianza Atlético de Sullana, onde marcou seu primeiro gol no futebol peruano. O jogador permaneceu no clube de 1993 a 1996. Seus 45 gols ajudaram a equipe a continuar na elite do país.

O seu bom desempenho o levou a jogar no Deportivo Municipal, no ano seguinte. Enquanto esteve lá, “El Goleador Prehistórico”, demonstrou novamente seu faro de gol, foram 12 gols em 22 jogos. Em 1998, partiu para o Sport Boys.  Tratado como a principal contratação daquele ano, o atacante foi o artilheiro do time no torneio com 17 gols. Do mesmo modo, levou a equipe a se classificar para a Copa Conmebol (atual Sul-Americana) da temporada seguinte.

Em 2000 saiu do Peru e foi jogar em El Salvador. Contratado pelo Club Deportivo Águila, se consagrou campeão do Apertura do Salvadorenho, mas não conseguiu jogar. Ainda em 2000, retornou ao Peru para jogar no Deportivo Wanka (antigo Deportivo Pesquero), e novamente fez 12 gols em 22 jogos.

Primeiro título da carreira

Com as boas atuações pelo Deportivo Wanka, Ibarra seguiu para o time com mais títulos do país, o Universitario, em 2001. Pelo até então, atual campeão peruano, fez 15 gols, porém a campanha do clube na liga foi muito abaixo da expectativa. No ano seguinte, retornou ao seu primeiro clube no Peru, o Alianza Atlético de Sullana, balançando as redes adversárias 22 vezes.

O ano de 2003 foi o mais movimentado da carreira de El Checo. Começou o semestre pelo Estudiantes de Medicina. Na sequência seguiu para o Unión Huaral e, por fim foi para o Cienciano, somando 17 gols pelos três times na competição.

O auge e status de ídolo

A chegada, do “El Goleador Prehistórico” causou um impacto imediato no Cienciano. O clube vinha da maior glória de um time peruano, o título da Copa Sul–Americana de 2003 (quando Ibarra chegou as inscrições para a competição estavam encerradas), em cima do River Plate, em casa. O atacante se tornou o goleador do time no Campeonato Peruano com 25 gols, sua melhor marca no torneio.

Ibarra também participou do título da Recopa Sul-Americana em cima do Boca Juniors, de Tévez e companhia. Saiu do banco e ajudou o time a empatar a partida aos 44 minutos do 2º tempo. O jogo foi 1 x 1 no tempo normal. Nos pênaltis, foi 4 x 2 para o Cienciano, com Ibarra abrindo as penalidades.

2005 foi seu auge na carreira. Formando ataque juntamente com Miguel Mostto, venceu o Apertura  Peruano. Ibarra foi o vice-artilheiro com 17 gols, enquanto seu companheiro de ataque, Mostto, foi o principal marcador do campeonato com 18 gols.

Seu faro de artilheiro o fez sair do Peru posteriormente, dessa vez para o Once Caldas, da Colômbia. Nesse meio tempo, porém, poucas vezes foi relacionado, voltando a Terra dos Incas.

A quebra do recorde

Regressou para jogar no José Galvez. Novamente, foi artilheiro da equipe, dessa vez com 12 gols. Contudo, não impediu o rebaixamento do clube, ou seja, foi a primeira vez que Sergio Ibarra foi rebaixado. Em seguida, retornou ao Sport Boys depois de oito anos.

Foi lá que começou a sua comemoração característica: “baile del bastón“. Com o fim do contrato foi para o Melgar, em 2008. Enquanto esteve por lá, fez o seu gol mais bonito na carreira. A bola veio num cruzamento da direita, após o domínio com o peito, deu um chapéu no zagueiro e estufou as redes com um gol de bicicleta. Você pode vê-lo aqui em baixo.

Foi com a camisa dos Los Rojinegros que Ibarra bateu o recorde de gols do lendário Oswaldo Ramírez, um dos maiores jogadores da história do Peru, ultrapassando o antigo recorde de 195 gols. Do mesmo modo, foi o principal goleador do time com 20 gols ao todo, sendo o vice-artilheiro do torneio.

Contudo, no ano seguinte foi para o Juan Aurich, que além de Ibarra, fez 21 contratações. O alto número de contratações teve o objetivo de se classificar para as competições internacionais. Como sempre, foi o artilheiro do time com 15 gols no Peruano. Simultaneamente, seus gols levaram o time para a Copa Libertadores de 2010.

O retorno ao Cienciano

Antes de mais nada, em 2010, Sergio voltou para “casa”. De fato o argentino nunca escondeu o carinho que nutria pelo Cienciano, da época mais vitoriosa do clube. Porém, o contexto era totalmente outro. O clube estava lutando para não cair. Além disso, a grave crise financeira do time obrigou o “El Goleador Prehistórico” a se tornar treinador e jogador simultaneamente.

De maneira inesperada, a aposta deu certo. A permanência na 1ª divisão finalmente veio apenas na última rodada contra o Alianza Atlético de Sullana. Jogando em casa, o time venceu por 2 x 1 e, dessa maneira, se manteve na elite do futebol Peruano. A gratidão da equipe é tão grande que fizeram um documentário especial sobre a participação de Ibarra na “salvação” do Cienciano no ano.

Logo depois do jogo, a torcida saiu comemorando pelas ruas de Cuzco a permanência na 1ª divisão. El Checo não era apenas mais um jogador ou treinador do time, se tornou um santo desde então. Em 2011, ao contrário do ano anterior, pode dedicar apenas as quatro linhas seu foco. Apesar da campanha ser apenas um pouco melhor, Ibarra novamente foi o artilheiro do time na competição com 11 gols.

Momentos finais da carreira

Primeiramente, já com 38 anos, e longe do auge físico, Sergio Ibarra foi embora do Cienciano. Seguiu para Sport Huancayo, sendo a mais importante contratação da equipe, que disputaria a Copa Libertadores de 2012 pela primeira vez em sua história. No certame mais importante da América, El Checo chegou a fazer um gol, todavia, não foi o suficiente para impedir a eliminação para o argentino Arsenal de Sarandi.

Assim, ficou de 2012 até o fim de 2013 na equipe. Nesse ínterim, foram 30 gols pelo Campeonato Peruano, sendo sempre o artilheiro da equipe. Entretanto, retornou à 2ª divisão da Liga Peruana, para o José Galvez. Decerto, por lá, fez seus últimos quatro gols na carreira. Ainda no mesmo ano, encerrou a sua passagem no San Simón, também do Peru, sem marcar. Atualmente, o atacante é um comentarista de futebol na TV peruana.

Por fim, Sergio Ibarra não é um atacante lembrado por fazer parte da elite do futebol, entretanto, a sua consistência o levou a se tornar uma lenda na história do futebol peruano.

Foto destaque: Reprodução / Oicanadian

Jean Silas
Jornalista, amo futebol e escrever. Aqui no Fnv posso unir minhas duas paixões.

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