Um dos melhores jogadores do mundo e craque maior do futebol peruano! Um clássico camisa 10 que encantava e assim trazia esperança a um povo. Daqueles que deixa de ser coadjuvante no mundo do futebol e busca o protagonismo. Assim era visto Teófilo “El Nene” Cubillas, meio-campista destro do Alianza Lima, Basel, Porto, Fort Lauderdale Strikers e, claro, Seleção Peruana. Dono de chutes potentes, certeiros e cheios de efeito, esbanjava muita habilidade pelos gramados dos anos 60, 70 e 80. Este ídolo peruano é o tema da coluna Guerreros de Cubillas dessa semana.

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Nascimento de “El nene”

Teófilo Juan Cubillas Arizaga nasceu em 08/03/1949, na cidade de Lima, no Peru. Desde muito cedo já jogava futebol e colecionava títulos estudantis e artilharias. Ainda jovem, em 1962 foi descoberto pelo Alianza Lima e começou a treinar nas divisões de base do time blanquiazul. Bem como nos tempos da escola, Cubillas seguia constantemente à encantar treinadores, torcedores e adversários.

Em 1966, o futebol profissional já era realidade para o prodígio jogador. O craque conseguiu mostrar o que estava por vir. Não treinava regularmente devido ao curso universitário de contador, mas, apesar disso, conseguiu artilharia do Campeonato Peruano de 1966 (19 gols). Dessa forma, passava a ser considerado o melhor jogador do Peru em atividade. No ano seguinte, jogou sua primeira partida internacional com direito à vitória de 6 x 1 sobre o Independiente-ARG. Cubillas marcou dois gols.

Craque Peruano Cubillas
Os primeiros passos de “El Nene” (Reprodução/Facebook Teófilo Cubillas)

O camisa 10 blanquiazul estava se tornando famoso dentro e fora do país. Era ele o expoente técnico da equipe da capital peruana e, futuramente, da seleção nacional do Peru. As atuações do craque peruano nas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1970 ajudariam a carimbar a classificação da Seleção Peruana para o torneio.

Cubillas e a Copa do Mundo de 1970

Após os resultados de 1 x 0 (em Lima) e 2 x 2 (em Buenos Aires), pelas Eliminatórias, a Seleção Peruana colocou nossos Hermanos argentinos para fora da Copa de 1970. Como resultado, tiveram as atenções do mundo do futebol voltadas a eles. A Blanquirroja ia à sua segunda Copa do Mundo e buscava, pelo menos, uma melhor colocação do que o 10º lugar conquistado em 1930.

Cubillas chegava à Copa com 21 anos. O jogador, treinado por Didi (campeão mundial em 1958), já parecia estar pronto para encantar o mundo. Carregando a camisa 10, teve papel importante na estreia ao marcar o gol da virada sobre a Bulgária, na vitória por 3 x 2.

No segundo jogo, contra Marrocos, acabou chamando ainda mais atenção ao marcar dois gols, na vitória por 3 x 0. No terceiro jogo da fase de grupos veio a primeira derrota: 3 x 1 para a Alemanha, de Gerd Müller, autor de três gols, enquanto Cubillas marcou o gol solitário da Seleção Peruana.

De frente com o Rei

Com estes resultados, a Seleção Peruana chegou as quartas de final tendo que encarar o Brasil, de Pelé, Tostão, Gerson, Jairzinho e Rivellino. A seleção “canarinho” era favorita contra uma seleção que não iria se entregar facilmente, criando, assim, uma atmosfera especial para a partida.

Por fim, a Seleção Brasileira venceu o jogo por 4 x 2. Tostão (2x), Jairzinho e Rivellino balançaram a rede para o Brasil, enquanto Gallardo e Cubillas fizeram os gols da Seleção Bicolor que deu adeus à competição. Para o presidente da FIFA na época, o brasileiro João Havelange, esta foi a melhor partida da Copa.

O rei e a lenda na Copa de 1970 (Reprodução/Pinterest)

Cubillas assumia o posto de maior craque do futebol peruano na melhor seleção da história do país. Além do 7º lugar, foi o artilheiro da equipe e dado como o melhor jogador jovem da Copa de 1970. Como resultado, recebeu elogios do melhor jogador de todos os tempos ao final da Copa. Pelé declarou, em entrevista, que todos estavam conhecendo o seu sucessor. Com todos esses êxitos, Cubillas entrava, imediatamente, no radar das equipes da Europa.

“Teófilo Cubillas é meu sucessor” -  Pelé, 1970.

Cubillas melhor que Pelé

Antes de deixar o Peru, Nene conseguiu conquistas pessoais ainda pelo Alianza Lima. Foi artilheiro da Copa Libertadores da América de 1972 (seis gols) e considerado o melhor jogador das Américas, deixando Pelé na 2ª posição. Naquele momento a “profecia” do Rei do Rutebol, ao final da Copa do México, já estava se concretizando.

Do futebol peruano à Europa

Basel

Em julho de 1973, Cubillas assinou com o Basel, da Suíça, enfim deixando o clube que o revelou. Não teve o mesmo sucesso dos tempos do Alianza Lima, sendo isto fácil de notar ao ver que disputou apenas 16 partidas e marcou sete gols, média de 0,43 gols por jogo. Teófilo ficou apenas quatro meses na Suíça, por não ter se adaptado a realidade do país e ao futebol local. Mesmo tendo conquistado o Campeonato Suíço de 1973/74, decidiu pela saída.

Primeiro clube estrangeiro do peruano Cubillas
Primeiro clube estrangeiro do peruano Cubillas foi o Basel, da Suíça (Reprodução/Wikipédia)

Porto

Ao passo que Cubillas mostrava querer sair da Suíça, o Porto quis imediatamente contratação do jogador. Ao mesmo tempo que o craque tinha exigências, os Dragões também tinham as suas nesta negociação tida como utópica pelo alto valor. Então, o time português, apenas com ajuda de empresários da região, torcedores e outros anônimos, pode finalmente contratar do astro da Copa de 1970.

Após as exigências feitas pelo jogador serem atendidas, o FC Porto conseguiu a contratação de Nene. Imediatamente ele já tinha a camisa 10, a faixa de capitão e sua estreia seria em um amistoso contra a Portuguesa de Desportos-BRA. O meio-campista chegou a marcar, mas, mesmo assim, teve como resultado a derrota por 3 x 2, no antigo Estádio das Antas. Por mais que já tivesse se tornado ídolo, não conseguiu tirar o clube de um grande jejum de títulos que já durava 18 anos.

Encerrou sua passagem de três temporadas, marcando 66 gols em 11o partidas, com média de 0,6 gols por jogo. Esteve durante quase toda a campanha da temporada 1976/77, mas não ficou para conquistar o título da Taça de Portugal, mas levou a medalha pela participação. Porém, Cubillas estava de malas prontas para regressar ao Alianza Lima e montar um dos melhores meios de campo da história da equipe blanquiazul.

O primeiro título com a Seleção Peruana

Apesar de incessantes brigas com a diretoria do Porto, que resultariam em uma retaliação ao craque, Cubillas pode defender sua Seleção. Conseguiu levar a equipe ao bicampeonato da Copa América de 1975, com direito a gol de “folha seca”, técnica ensinada por Didi. O golaço foi marcado justamente contra o Brasil, na vitória de 3 x 1 dos peruanos, em pleno Mineirão (vídeo do gol à baixo). “El Nene“, que amava defender as cores peruanas, teve este como seu único título pela esquadra nacional.

A lenda voltou e quer à Copa!

Logo depois de se tornar ídolo e goleador em Portugal, o craque maior do futebol peruano, enfim, voltou ao seu time do coração. Mesmo sendo o jogador mais famoso e querido do país, ainda assim queria, acima de tudo, mais louros para sua seleção. O meia tinha como objetivo disputar ainda a Copa do Mundo FIFA de 1978 e, definitivamente, alcançar níveis ainda mais altos do que os já alcançados.

Um super time

Primeiramente, era necessário ter os melhores jogadores do país ao seu lado, mas isso não seria problema. Juntamente com Cueto, Velasquez e Sotil, formou um meio-campo poderoso que, da mesma forma, poderia dar certo na Copa do Mundo. Definitivamente foi uma das melhores equipes da história do Alianza Lima. Conquistaram o Campeonato Peruano de 1977 e 1978, além de chegar até a semifinal da Copa Libertadores da América de 1978, perdendo para o Deportivo Cali-COL.

Argentina 78

O Peru não teve um bom desempenho na Copa do Mundo FIFA de 1978. Não conseguiu uma posição melhor do que o 7º lugar, conquistado oito anos antes. As boas atuações de Cubillas e companhia, contra Escócia e Irã, logo fizeram o país ficar entre as oito melhores novamente.

“Quando vi aquele gol (de Cubillas contra à Escócia), decidi que também queria cobrar falta” -  José Luis Chilavert.

Mas, a partir da segunda fase, o time não se encontrou mais e teve três derrotas como resultado. Dessa forma, acabou perdendo para o Brasil, Polônia e Argentina por: 3 x 0, 1 x 0 e 6 x 0, respectivamente. Assim, a equipe terminou na 8ª posição, sendo esta a segunda melhor campanha da história do país. Cubillas logo se consolidou ainda mais como maior craque do futebol peruano ao conseguir, assim como em 1970, cinco gols.

Dessa forma, tinha, então, 10 gols e se tornava o maior artilheiro de peruano na história dos mundiais (e é até os dias atuais). Quando enfrentou a Argentina, na goleada sofrida por 6 x 0, não conseguiu impor seu jogo. Entretanto, naquela ocasião, enfrentou a lenda hermana Mario Kempes, que marcou duas vezes no duelo e ofuscou Cubillas. Contudo, o argentino ficou encantado com o futebol do “velho” Nene.

“Cubillas foi um daqueles velhos “10”, espetaculares, que sempre governou em campo” -  Mario Kempes.

Soccer, fútbol e aposentadoria

Cubillas logo recebeu proposta para jogar no Fort Lauderdale Strikers, dos Estados Unidos, em 1979, e aceitou. No time de Miami pode jogar junto de craques como o norte-irlandês George Best e o inglês Gerd Müller. Pelo Strikers não conquistou títulos, porém o craque do futebol peruano disputou cinco temporadas e se tornou ídolo do clube.

Assim, tornou-se o maior artilheiro da história da equipe com 65 gols, superando seus companheiros de clube, e também lendas, Best e Müller. Seu desempenho o colocou na Seleção da Liga Norte-Americana de 1980 e 1981, além de ficar no segundo time All-Star em 1979 e 1982. Seu recorde de gols em uma mesma partida foi contra o Los Angeles Aztecs, marcando três gols em apenas sete minutos, em 1981. Ele deixou o clube em 1984, aos 35 anos.

Mais um regresso ao Alianza Lima e aos Estados Unidos

Em 1984, regressou ao Alianza Lima. Atuou pouco, apenas quatro jogos, mas marcou também quatro gols. Na sequência, retornou aos EUA. Retornou à Flórida, em 1985, para jogar a 2ª divisão com o South Florida Sun, jogando duas partidas, fazendo um gol e dando duas assistências. No total de sua passagem foram sete partidas e cinco gols. Assim, conquistou o título da United Soccer League de 1985.

Um verdadeiro ídolo

Em 1986, o craque decide pendurar as chuteiras definitivamente. De antemão, convidou craques do mundo todo para seu jogo de despedida, acreditando que nunca mais voltaria a jogar profissionalmente. Porém, em 1987, um acidente aéreo vitimou fatalmente 43 pessoas, sendo 16 jogadores e alguns membros da comissão técnica do Alianza Lima. Aquele elenco continha uma das mais promissoras gerações do futebol peruano de todos os tempos, até então.

Mas apesar do final trágico, um novo time teria que ser formado e o maior jogador da história do clube se colocou à disposição. Aos 37 anos, Cubillas imediatamente largou sua aposentadoria e se tornou treinador/jogador do time que o revelou. O clube liderava o campeonato até a tragédia. A exemplo da Chapecoense, mas no passado, o Alianza recebeu jogadores emprestados de diversos clube para formar este novo plantel.

Neste último ato de amor, respeito e solidariedade ao clube, o meio-campista conseguiu o vice-campeonato peruano para o seu time do coração. Com este ato, o enfim aposentado deixaria de ser apenas ídolo do Alianza Lima e craque máximo de uma nação, mas, acima de tudo, tornaria-se um exemplo a ser seguido e não apenas no futebol, mas na vida.

Por fim, Teófilo Cubillas, em 904 jogos disputados, balançou a rede 527 vezes. Além disso, teve como resultado seis títulos por clubes, um título nacional e diversos prêmios individuais, recebidos durante a carreira e após pendurar as chuteiras. Dessa forma, ainda hoje, é considerado o maior ídolo do futebol peruano, dividindo as atenções com o atual ídolo, Paolo Guerrero. Portanto, juntos, dão nome a essa coluna.

Foto destaque: Reprodução / Andina

Victor Chagas
Estudante de jornalismo pela faculdade de Belas Artes. Teve um blog, onde comentava as rodadas do campeonato brasileiro de 2011, mas não prosseguiu com o projeto. Formado em engenharia civil, mas nunca deixou o sonho de ser jornalista esportivo para poder chegar a trabalhar em profissões como a de setorista, repórter de campo, assessor de imprensa e narrador esportivo (com foco em rádio).

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