Do céu ao mar: as falhas que causaram a tragédia aérea do Alianza Lima

O trágico acidente aéreo da delegação do Alianza Lima ocorreu no dia 8 de dezembro de 1987. É considerado como um dos capítulos mais tristes da história do futebol peruano. A princípio, os Aliancistas partiram de Pucallpa em direção à capital do Peru, Lima. Porém, uma sequência de falhas, tanto mecânica quanto humana, fez com que o avião caísse no mar, a poucos minutos do Aeroporto Internacional Jorge Chávez. Das 44 pessoas presentes na aeronave, apenas o piloto sobreviveu. Saiba mais sobre a história do futebol peruano na coluna Guerreros de Cubillas.

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O ACIDENTE

A princípio, os Aliancistas, no dia do desastre, jogaram contra o Deportivo Pucallpa fora de casa. A partida, válida pelo Campeonato Peruano, terminou com vitória do Alianza Lima por 1 x 0, com um gol de Carlos Bustamente, aos 33 minutos do 1º tempo. Em seguida, a delegação do Alianza Lima voltaria para a cidade de Lima dentro de um avião Fokker F-27, da Marinha. Ao todo, havia 44 pessoas no voo, sendo 16 jogadores, seis membros da comissão técnica, quatro auxiliares, oito torcedores, três árbitros e sete membros da tripulação.

Parecia um voo tranquilo, contudo, ocorreu uma falha mecânica quando o avião estava a poucos minutos do aeroporto. Na descida, o trem de pouso dianteiro do avião não funcionou. A fim de forçar o trem de pouso para baixo, o piloto começou a fazer manobras. Porém, anos mais tarde, descobriu-se também que, ao executar os movimentos, o comandante cometeu uma falha: ele não notou a perda de altitude do avião durante as acrobacias, fazendo com que o avião caísse e se despedaçasse no mar.

Enfim, por conta das falhas técnicas e dos erros de um guia inexperiente com aviões, o Fokker F-27, da Marinha Peruana, caiu no mar. O avião com a delegação do Alianza Lima caiu a poucos minutos do Aeroporto Internacional Jorge Chávez, entre o distrito de Ventanilla e a cidade de Callao. O piloto do avião, que era o tenente Edilberto Villar Molina, foi o único sobrevivente da tragédia. Posteriormente, o comandante relatou que Alfredo Tomasini, jogador aliancista, sobreviveu à queda do avião, porém, acabou morrendo afogado. Nunca encontraram o corpo do atleta.

A GERAÇÃO PROMISSORA VÍTIMA DO ACIDENTE

O técnico Marcos Calderón foi uma das vítimas da tragédia. Anteriormente, ele havia vencido a Copa América de 1975 com o Peru e participou da Copa do Mundo de 1978. No ano de 1987, o Alianza Lima, com Calderón no comando, era o 1° colocado do Campeonato Peruano após 18 rodadas.

No clube blanquiazul estava também o goleiro José Gonzales Ganoza, que era o jogador mais experiente do plantel. Atuou junto com o técnico Marcos Calderón na Copa América de 1975 e na Copa do Mundo de 1978. Além disso, participou também da Copa do Mundo de 1982. Aliás, Caíco, como era popularmente conhecido, é tio de Paolo Guerrero, que atualmente joga pelo Internacional. Guerrero também foi jogador do Corinthians e do Flamengo.

Os Aliancistas contavam também com jovens promessas do futebol peruano. Entre as principais, estava o meio-campista de 22 anos Carlos Bustamente, autor do gol contra o Deportivo Pucallpa no dia da tragédia, e José Casanova, popularmente conhecido como “Pelé”, um meia de 23 anos.

Contudo, apesar de talentosos, nenhum dos jovens chegava aos pés de Luis Antonio Escobar Aburto, de 18 anos. O atacante é apontado como o herdeiro de Teófilo Cubillas, o maior jogador da história do Peru. O garoto prodígio foi o único jogador que defendeu a Seleção Peruana Sub-16, Juvenil e Sênior. Aliás, o sucesso do atacante, conhecido como El Potrillo, marcou aquela safra aliancista, que é lembrada até hoje como os “Potrillos do Alianza Lima”.

Da mesma forma, morreram também os jogadores Milton Cavero, Aldo Chamochumbi, Tomás Farfán, Ignacio Garretón, William León, José Mendoza, Gino Peña, Daniel Reyes, César Sussoni, Braulio Tejada, Alfredo Tomasini e Johnny Watson.

PÓS-TRAGÉDIA

A princípio, os Aliancistas buscavam manter a liderança na 18ª rodada, mas a tragédia fez com que o torneio fosse suspenso por um mês. Por isso, a solução que o clube encontrou para se reerguer foi promover alguns juvenis para o time principal. Também tiveram apoio de um clube chileno: o Colo-Colo.

À primeira vista, Peru e Chile tinham uma rixa. Os países lutaram um contra o outro na Guerra do Pacífico, evento que ocorreu havia mais de um século naquela época. Mas as intrigas foram deixadas para trás em meio ao luto dos peruanos e o Cacique Popular emprestou quatro atletas peruanos para o Alianza Lima. O laço de amizade entre os clubes se mantém até os dias atuais.

Além disso, o Blanquiazul contou com a ajuda de Teófilo Cubillas, que havia voltado da aposentadoria para ajudar o clube. O Alianza Lima contou também com a volta de César Cueto, um dos maiores ídolos do clube. Para amenizar os custos do clube, o time fez os jogos restantes na cidade de Lima. Na decisão do título, o Alianza Lima perdeu para o Universitario por 1 x 0 e terminou o campeonato na 2ª posição.

A MAIOR TRAGÉDIA DA HISTÓRIA DO FUTEBOL

Vale ressaltar que a maior tragédia da história do futebol também aconteceu no Peru. O ocorrido com o Alianza Lima, apesar de trágico, fica atrás da Tragédia do Estádio Nacional no quesito número de mortos e feridos.  

No ano de 1964, Argentina e Peru jogaram uma partida válida como um pré-olímpico, no Estádio Nacional de Lima. Porém, no fim do jogo, iniciou-se uma confusão por conta de um gol anulado da Seleção Peruana. Dezenas de pessoas invadiram o campo. Contudo, a ação policial que usou bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha e cães dispersou a multidão.

Então, por causa do conflito, milhares de torcedores tentaram sair do estádio. Mas, muitas das grades estavam fechadas. Com isso, muita gente foi pisoteada e esmagada contra a grade. Ao todo, 312 pessoas morreram, a maioria por asfixia, e mais de 500 ficaram feridas.

Foto destaque: Reprodução/ Elcomercio.pe

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Escolhi o jornalismo para poder trabalhar com o futebol sem necessariamente fazer parte de algum clube. Já participei de programas de rádio em duas ocasiões e estive presente na equipe responsável por uma página no Instagram chamada Memória Cabrunca.

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