Pélé e Gilberto no amistoso em 1962

Gilberto dos Santos, natural de Pernambuco, Nordeste do Brasil, chegou na LDU de Quito em 1960 para fazer história. O habilidoso ponta-esquerda foi o primeiro jogador brasileiro a atuar nos gramados equatorianos, sendo também o primeiro a conquistar títulos e fazer gols por lá. Este brasileiro é o tema da coluna Pela Linha do Equador desta semana. Assim, iniciou sua jornada conquistando o Regional de Quito, denominado Inter Andino. Logo, tendo o direito de disputar o Nacional do Equador. O futebol equatoriano daquela época vivia seus primeiros passos para o profissionalismo.

Por isso, em 1957, chegou-se a um acordo para que as duas melhores equipes dos campeonatos regionais, de Quito e Guayaquil, disputassem um torneio para decidir o campeão nacional. Assim nasceu o Campeonato Nacional Equatoriano que, depois de não ter sido disputado por dois anos seguintes, voltou a ser organizado em 1960 com oito equipes (quatro de cada federação) e, a partir daí, sendo disputado anualmente.

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A LDU estreou nessa 2ª edição do Equatoriano, por isso Gilberto fez parte do primeiro campeonato nacional pelos Albos. Comandada pelo brasileiro José Gomes Nogueira, a equipe de Quito disputou pela primeira vez o grande clássico nacional contra o Barcelona de Guayaquil, dia 5 de novembro de 1960, sendo derrotado por 4 x 0. Assim, com apenas uma vitória no torneio, os Albos terminaram o certame no 6° lugar, com cinco pontos em oito partidas.

O PRIMEIRO ENCONTRO DE GILBERTO COM O REI

Em 1961, o treinador brasileiro, José Gomes, foi tentar a sorte na Seleção Peruana, enquanto o ponta-esquerda ficou por mais dois anos na LDU. Durante esse período em Quito, Gilberto conquistou o bicampeonato regional, em 1960 e 1961, participou de 20 partidas e fez quatro gols para os Merengues. Porém, foi em 1962 que ele fez sua partida mais especial da carreira, no amistoso contra o super Santos, de Pelé, que estava em excursão pela América do Sul.

Então, aconteceu seu primeiro encontro com o Rei do Futebol, onde ele pode ver de dentro de campo toda a habilidade daquele incrível time de Pelé e Pepe, que marcaram três gols cada. Além disso, Gilberto ainda teve a felicidade de fazer um gol, nessa que foi a primeira partida da história entre LDU e Santos. O jogo, que ocorreu dia 14 de janeiro de 1962, no Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito, e terminou 6 x 3 para equipe brasileira.

Foi nesse ano também que começou uma invasão de jogadores brasileiros no Equador. Na LDU, Porfidio Pereira Neto, o “Fifi“, chegou para fazer companhia ao pioneiro Gilberto. Porém, os dois só jogaram juntos por um ano, pois, após o fim do contrato, o pernambucano foi contratado pelo 9 de Octubre, em 1963. Portanto, o atleta disputou outra vez o torneio equatoriano pelo seu novo clube, terminando com apenas uma vitória e um empate em cinco jogos.

MUDANÇA DE ARES

Após essa breve passagem pelo 9 de Octubre, o atleta seguiu viagem para o FBC Melgar, no Peru, em 1966. Então, Gilberto dos Santos foi de novo um pioneiro ao jogar o primeiro Campeonato Descentralizado Peruano, pois, pela primeira vez times de fora de Lima e Callao foram convidados para participar, sendo assim considerado um campeonato nacional.

Por ter sido campeão regional de 1965, o time de Arequipa e mais três clubes do interior foram convidados para estrear, junto com outras 10 equipes de Lima e Callao, no Nacional Peruano de 1966. Por isso, o Melgar contratou o experiente Gilberto para atuar como jogador e também como técnico. Assim, o brasileiro foi de novo pioneiro nessa dupla função no futebol peruano e começou bem o torneio vencendo o Defensor Lima por 1 x 0.

Apesar de ter feito uma boa competição, com 12 vitórias, quatro empates e 10 derrotas, sua equipe acabou rebaixada pelo regulamento absurdo daquele ano. Isso porque as quatro equipes convidadas deveriam ficar acima da metade da tabela para manter a permanência na 1ª divisão, ou seja, um 7° lugar no mínimo. Assim, o “técnico-jogador” brasileiro terminou a temporada em 8° lugar, com dois gols marcados e com o gosto amargo do descenso.

O segundo encontro com Pelé

Foi nesse ano também que o antigo atacante, que era zagueiro nesse fim de carreira, enfrentou pela segunda vez o Santos de vossa majestade. Porém, dessa vez Gilberto não entrou em campo, atuando apenas como técnico no amistoso que terminou 1 x 1, dia 6 de fevereiro de 1966, em Arequipa. Foi um jogo histórico para o time rubro-negro que, com muita garra, venceram o 1° tempo, cedendo o empate na 2ª etapa. Mesmo assim, foi um resultado muito comemorado pelos torcedores peruanos que lotaram as arquibancadas do estádio Mariano Melgar para ver o Rei Pelé.

Então, após o bom ano de 1966, Gilberto continuou seu trabalho na temporada seguinte apenas como treinador. Assim, o histórico atleta participou também da primeira Copa do Peru, criada em 1967 como uma 2ª divisão do Nacional para as equipes do interior, onde o campeão ganhava a vaga para o principal torneio nacional. Apesar da boa campanha na Copa, o Melgar ficou em 4ª lugar e não conseguiu a promoção. Porém, Gilberto ainda conquistou seu último título no futebol ganhando o Regional de Arequipa daquele ano.

A DESPEDIDA DE GILBERTO DO FUTEBOL

Após o bom trabalho nesses dois anos no Melgar, o brasileiro ficou fora do esporte por um bom tempo, até retornar a equipe rubro-negra em 1976. Assim, ele voltou ao futebol pela última vez para treinar um time que vivia em uma crise entre diretoria e atletas. Por isso, ele ficou apenas dois jogos e foi substituído pelo jogador Pitín, que assumiu a dupla função, como Gilberto havia feito há 10 anos.

Por fim, após o breve retorno, não há mais registros desse grande brasileiro no futebol. Gilberto dos Santos foi um desbravador nos campos sul-americanos, pioneiro em vários campeonatos e clássicos do futebol equatoriano e peruano. Além disso, deixou seu nome pela eternidade do futebol como o primeiro brasileiro a disputar uma partida oficial no Equador.

Foto destaque: Reprodução / Diário do Peixe

Diogo Coelho
Flamenguista da gema e oriundo de uma família Fla-Flu, vivo o esporte desde que nasci e sou apaixonado por futebol. Assim, me formei no curso de Treinador de Futebol em 2006 e em 2009 comecei minha pós-graduação em Jornalismo Esportivo e Gestão do Esporte. Estreei na área jornalística ainda em 2009 no projeto Viva Favela, pela ONG Viva Rio, atuando como assistente de produção e edição de matérias sociais e culturais. Em 2011, tive a oportunidade de trabalhar e estudar em Sydney, Austrália, onde fiz um curso de Business durante dois anos. Quando voltei ao Brasil participei das olimpíadas como voluntário, além de trabalhar como Coordenador de Comunicação do projeto Naves do Conhecimento, da Prefeitura do Rio de Janeiro. Agora, tenho o prazer de seguir minha carreira na área esportiva, que é onde mora minha paixão.

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