(Reprodução/Revista El Dorado)

O Anjo de Pernas Tortas, como era conhecido Manoel Francisco dos Santos, vulgo Mané Garrincha, teve uma passagem curta e histórica pelo Júnior Barranquilla, da Colômbia, no ano de 1968. Contudo, a trajetória de Garrincha durou apenas um jogo e foi o suficiente para exaltar os ânimos dos torcedores colombianos. Esse é o tema da  Colômbia Dourada dessa semana.

O que levou o craque à Colômbia

Você já sonhou em ter um bicampeão da Copa do Mundo no seu time do coração? O  Júnior teve este privilégio com ninguém menos que, Garrincha.

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Naquela época, casado com a cantora Elza Soares, Garrincha foi à Colômbia, a fim de acompanhá-la em seus shows. Logo após sua chegada, recebeu a proposta para vestir a camisa do Júnior.

A princípio, chegou ao clube com um contrato de jogo a jogo, ou seja, recebia seu salário por cada partida que disputasse em campo. Contudo, estima-se que o acordo pagava cerca de 600 dólares por partida, o que hoje seria em torno de 1.877  reais.

A primeira e única partida na Colômbia

Em suma, sua passagem durou cerca de um mês, com apenas um jogo disputado. O Júnior saiu derrotado no placar de 3 x 2, contra o Santa Fé, de Bogotá, no dia 25 daquele ano. Segundo o ex-zagueiro, Carlos Peña, Garrincha foi um dos destaques do jogo, mesmo não balançando as redes.

Aquela estreia de Garrincha com o Júnior foi a sensação mundial. Não havia lugar para uma alma no Municipal. Estavam mais de 20.000 pessoas do lado de fora jogando pedra porque não podiam entrar”, contou Edgar Perea, locutor colombiano.

Museu Colômbia (Reprodução/Victor Canedo/Globo)
Museu Colômbia (Reprodução/Victor Canedo/Globo)

Em contrapartida, a visão de alguns torcedores é outra. Segundo Cristóbal Miranda Arévalo, torcedor presente na estreia, Mané estava gordo, sem flexibilidade e cansava facilmente, decepcionando a torcida. Além disso, após a partida o craque foi criticado pelo técnico Luis Miloc, insatisfeito com a estreia e com sua postura fora dos gramados, com bebida alcóolica e horas de piscina de hotel.

Apesar do clube colombiano contar com nove jogadores estrangeiros, Garrincha foi a figura internacional mais importante que passou por lá.  Por fim, ao saber que Elza Soares não iria à Barranquilla, Mané  deixou o clube após 24 dias despertando euforia dos torcedores.

Foi o primeiro e último jogo do craque no time colombiano. Entretanto, foi mais que o suficiente para ter a marca de um grande ídolo guardada na história.

(Reprodução/ Rádio Caracol)
(Reprodução/ Rádio Caracol)

Garrincha: a história de um ídolo

O Anjo de Pernas Tortas, como era conhecido, é considerado por muitos um dos melhores jogadores da história do futebol mundial, representando o “futebol arte” brasileiro.

Mané Garrincha nasceu em 28 de outubro de 1933, em Magé, Rio de Janeiro, e teve o futebol pautando sua história desde o início. Além disso, devido a problemas como desequilíbrio da pelve, uma perna maior que a outra e problemas nos joelhos, a sua trajetória nos gramados parecia estar prejudicada, apesar da paixão de criança.

Contrariando as expectativas, o craque demonstrou sua gigantesca habilidade logo em suas primeiras experiências, no Pau Grande, Serrano e em seguida no Botafogo, que se encantou instantaneamente com seu futebol.

Da mesma forma, na Seleção Brasileira, o nome de Garrincha é insubstituível. Juntamente com Pelé, formaram uma das maiores duplas da história do futebol. Juntos não perderam nenhum jogo defendendo a Amarelinha. Ambos disputaram as Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1966.

(Reprodução/CBF)
(Reprodução/CBF)

O declínio da carreira de Garrincha

Depois que viveu das glórias proporcionadas pelo seu brilhante talento e seus dribles desconcertantes, a carreira de Mané Garrincha entrou em declínio. Juntamente com problemas de saúde, alcoolismo, acidentes automobilísticos e escândalos na mídia, o mundo o observou perder a magia e pisar cada vez menos nos gramados. O último jogo oficial de sua carreira aconteceu no dia 23 de março de 1972, vestindo a camisa do Olaria Atlético Clube, do Rio de Janeiro.

(Reprodução/Conexão Marília)
(Reprodução/Conexão Marília)

O 3° time mais antigo da Colômbia também já foi palco para outros grandes jogadores brasileiros. Heleno de Freitas, Dida, Quarentinha, Dacunha, Airton, Victor Ephanor, e claro, Mané Garrincha, passaram pela história do clube.

Foto destaque: Reprodução/Revista El Dorado

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Jornalista em formação, setorista do América-MG, curiosa e apaixonada por esporte e comunicação.

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